UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 42a, G4P3A1, comparece ao serviço de emergência com queixa de aumento do volume abdominal há dois meses com piora progressiva. Há três dias refere inapetência e dificuldade para respirar pelo aumento da barriga. Exame físico: Regular estado geral, descorada 2+/4+, emagrecida. FR= 26irpm, PA= 102x74mmHg, FC= 96bpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 96%; abdome: volumoso com massa palpável de 10cm em mesogastro e sinal de Piparote positivo. Ultrassonografia de abdome= ascite volumosa, omento tumoral, sinais de implantes tumorais em peritoneo em região de goteiras parietocólicas, pelve e subdiafragmática. Tumoração ovariana sólida bilateral com superfície irregular e vascularização aumentada (ovário direito= 150cm3 e ovário esquerdo= 210cm³). Antígeno carcinoembrionário = 45ng/mL e CA 125= 220U/mL. A PRINCIPAL HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DA TUMORAÇÃO OVARIANA É:
Mulher 42a, ascite, omento tumoral, implantes peritoneais, tumoração ovariana bilateral sólida, CA-125 ↑, CEA ↑ → Câncer de ovário avançado ou Tumor de Krukenberg.
O quadro clínico de aumento progressivo do volume abdominal, ascite, omento tumoral e implantes peritoneais, associado a tumorações ovarianas bilaterais sólidas e marcadores tumorais elevados (CA-125 e CEA), é altamente sugestivo de uma neoplasia ovariana avançada ou metástase para o ovário (tumor de Krukenberg, geralmente de origem gastrointestinal). A bilateralidade e o CEA elevado favorecem a metástase.
A apresentação de uma mulher de 42 anos com aumento progressivo do volume abdominal, ascite e massa pélvica é um cenário clínico comum que exige investigação rápida para excluir malignidade. A presença de omento tumoral e implantes peritoneais na ultrassonografia sugere carcinomatose, frequentemente associada a câncer de ovário avançado. A epidemiologia mostra que o câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior mortalidade. A fisiopatologia da ascite maligna e da carcinomatose peritoneal envolve a disseminação de células tumorais para o peritônio, causando inflamação e acúmulo de líquido. O diagnóstico se baseia na correlação dos achados clínicos, de imagem (USG, TC) e laboratoriais (marcadores tumorais como CA-125 e CEA). A elevação do CA-125 é comum no câncer de ovário, mas o CEA elevado, especialmente com tumoração ovariana bilateral, levanta a forte suspeita de um tumor de Krukenberg, uma metástase de câncer primário gastrointestinal. O tratamento inicial pode envolver a paracentese para alívio sintomático da ascite e coleta de líquido para citologia. A biópsia é essencial para a confirmação histopatológica. O prognóstico depende do estágio da doença e da origem do tumor. É crucial considerar a investigação do trato gastrointestinal em casos de suspeita de tumor de Krukenberg para identificar e tratar o tumor primário.
Achados sugestivos incluem aumento progressivo do volume abdominal, ascite, massa pélvica palpável, omento tumoral, implantes peritoneais em exames de imagem (USG, TC) e elevação de marcadores tumorais como CA-125.
Embora o CA-125 seja o marcador mais conhecido para câncer de ovário, um CEA (Antígeno Carcinoembrionário) elevado em conjunto com uma massa ovariana bilateral sugere fortemente um tumor de Krukenberg, que é uma metástase ovariana, geralmente de um câncer gastrointestinal (estômago, cólon).
O câncer de ovário primário geralmente se apresenta com CA-125 elevado e pode ser unilateral ou bilateral. O tumor de Krukenberg é tipicamente bilateral, sólido, com CA-125 e CEA elevados, e a pesquisa de um tumor primário no trato gastrointestinal é fundamental para o diagnóstico diferencial.
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