Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2023
Mulher, 27 anos, procura seu ginecologista preocupada pois sua avó materna morreu em decorrência de câncer de ovário. Devido essa situação, qual seria o fator que poderia ser referido a paciente como protetor para esse desfecho?
Uso de contraceptivos anovulatórios ↓ risco de câncer de ovário, especialmente em mulheres com história familiar.
O uso de contraceptivos hormonais combinados (anovulatórios) é um fator protetor bem estabelecido contra o câncer de ovário, com o risco diminuindo com o tempo de uso. Acredita-se que essa proteção esteja relacionada à supressão da ovulação e, consequentemente, à redução do trauma epitelial ovariano e da exposição a hormônios gonadotróficos.
O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com a maior taxa de mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à ausência de sintomas específicos precoces. A história familiar, como no caso da paciente, é um dos fatores de risco mais importantes, especialmente se houver mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Para residentes, é fundamental conhecer os fatores de risco e, principalmente, os fatores protetores para oferecer um aconselhamento adequado às pacientes. A teoria da ovulação incessante sugere que o trauma repetido ao epitélio ovariano durante a ovulação e a subsequente reparação celular aumentam o risco de mutações e desenvolvimento de câncer. Qualquer fator que reduza o número de ovulações ao longo da vida pode, portanto, ser protetor. Nesse contexto, a paridade (ter filhos) e a amamentação são fatores protetores conhecidos. O uso de contraceptivos hormonais combinados (anovulatórios) é um dos fatores protetores mais bem estabelecidos contra o câncer de ovário. Estudos demonstram que o risco diminui com o tempo de uso e essa proteção pode persistir por décadas após a interrupção. A supressão da ovulação pelos contraceptivos é o principal mecanismo de ação. Outras medidas, como a ligadura tubária, também conferem alguma proteção, possivelmente ao impedir a migração de células malignas das tubas uterinas para o ovário, ou por reduzir a exposição do ovário a agentes carcinogênicos.
Os contraceptivos anovulatórios protegem contra o câncer de ovário ao suprimir a ovulação, o que reduz o número de ciclos ovulatórios ao longo da vida da mulher. Acredita-se que a ovulação repetida cause microtraumas no epitélio ovariano, aumentando o risco de mutações e transformação maligna.
Além dos contraceptivos anovulatórios, outros fatores protetores incluem a paridade (ter filhos), a amamentação, a ligadura tubária e a ooforectomia bilateral profilática em pacientes de alto risco (ex: mutações BRCA).
A história familiar é um fator de risco significativo para o câncer de ovário, especialmente se houver parentes de primeiro grau afetadas ou múltiplas pessoas na família. Mutações genéticas, como as nos genes BRCA1 e BRCA2, aumentam substancialmente o risco e justificam aconselhamento genético e estratégias de rastreamento/prevenção mais agressivas.
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