Câncer de Ovário: Diagnóstico e Cirurgia Citorredutora

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 59 anos de idade, em tratamento de síndrome dispéptica há 5 meses, refere aumento do volume abdominal, constipação, náusea e vômitos pós-alimentares há 15 dias, com perda de 15 kg nos últimos 6 meses. Exame físico: abdômen globoso, sinal de piparote presente, semicírculo de Skoda presente. Exames laboratoriais: CA 125: 120 UI/mL (normal 35-40); Antígeno carcinoembrionário: 1,2 ng/mL (normal até 5). A tomografia computadorizada revela os seguintes achados ginecológicos: espessamento omental, formações expansivas heterogêneas anexiais, útero com dimensões aumentadas. Endoscopia digestiva alta: gastrite erosiva leve de antro. Colonoscopia: progressão do aparelho até flexura esplênica, sem alterações. O diagnóstico e a conduta mais adequada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) neoplasia maligna de foco primário desconhecido; PET-Scan.
  2. B) neoplasia maligna de ovário; cirurgia citorredutora completa.
  3. C) neoplasia maligna de ovário; quimioterapia sistêmica.
  4. D) neoplasia maligna de foco primário desconhecido; biópsia da lesão por radiointervenção.

Pérola Clínica

Mulher > 50a, sintomas gastrointestinais inespecíficos + ascite + massa anexial + CA 125 ↑ → suspeitar câncer de ovário.

Resumo-Chave

O câncer de ovário frequentemente se apresenta com sintomas gastrointestinais inespecíficos e tardios, como distensão abdominal e perda de peso. A presença de ascite, massas anexiais e CA 125 elevado em mulheres na pós-menopausa é altamente sugestiva de neoplasia maligna de ovário, sendo a cirurgia citorredutora a conduta inicial padrão.

Contexto Educacional

O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior taxa de mortalidade, principalmente devido ao diagnóstico tardio. Seus sintomas iniciais são vagos e inespecíficos, mimetizando condições gastrointestinais benignas, o que dificulta o rastreamento e atrasa a identificação da doença. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres na pós-menopausa, e a importância clínica reside na necessidade de alta suspeição para diagnóstico precoce. A fisiopatologia envolve o crescimento descontrolado de células epiteliais ovarianas, que frequentemente se disseminam para o peritônio, formando ascite e implantes tumorais (carcinomatose peritoneal, espessamento omental). O diagnóstico é suspeitado pela clínica (distensão abdominal, perda de peso), exames de imagem (TC com massas anexiais, ascite) e marcadores tumorais (CA 125 elevado). O semicírculo de Skoda e o sinal de piparote são indicativos de ascite. A conduta mais adequada para o câncer de ovário avançado é a cirurgia citorredutora completa, que busca remover todo o tumor visível. A quimioterapia sistêmica adjuvante é geralmente administrada após a cirurgia. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de alerta e a importância da avaliação multidisciplinar para um manejo otimizado e melhor prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns do câncer de ovário?

Os sintomas são frequentemente inespecíficos e incluem distensão abdominal, dor pélvica ou abdominal, saciedade precoce, alterações urinárias e intestinais, e perda de peso.

Qual a importância do marcador CA 125 no diagnóstico do câncer de ovário?

O CA 125 é um marcador tumoral que pode estar elevado em casos de câncer de ovário, mas não é específico. É útil no acompanhamento e, em conjunto com exames de imagem e clínica, na suspeita diagnóstica.

O que é a cirurgia citorredutora e por que é crucial no câncer de ovário?

A cirurgia citorredutora visa remover o máximo de tecido tumoral possível. É crucial porque a extensão da ressecção tumoral é o fator prognóstico mais importante para a sobrevida das pacientes com câncer de ovário avançado.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo