Câncer de Origem Desconhecida: Conduta no Adenocarcinoma Metastático

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 68 anos é avaliado quanto a desconforto no quadrante superior direito. Por outro lado, relata se sentir bem, trabalha em tempo integral e caminha cerca de oitocentos metros para ir e voltar do trabalho todos os dias. Os sinais vitais são normais e o exame físico é notável por hepatomegalia. Exames de sangue: hemograma, creatinina, glicemia e bilirrubina são normais; fosfatase alcalina e aminotransferase estão elevadas. Tomografia tórax, abdome e pelve: hepatomegalia com múltiplas lesões metastáticas; carcinomatose abdominal com pequena quantidade de ascite; nenhuma outra anormalidade é observada. A biópsia hepática revela adenocarcinoma. O diagnóstico é de câncer metastático de origem desconhecida. Em relação a esse paciente, assinale a alternativa que apresente a melhor conduta a seguir.

Alternativas

  1. A) Avaliar a matriz de expressão genética do tecido hepático.
  2. B) Pedir marcadores tumorais (PSA, CEA, CA 19-9, CA 15-3 e CA-125).
  3. C) Pedir endoscopia digestiva alta e colonoscopia.
  4. D) Pedir PET/TC.
  5. E) Indicar quimioterapia combinada.

Pérola Clínica

Câncer metastático de origem desconhecida (adenocarcinoma) + bom PS → Quimioterapia combinada.

Resumo-Chave

Em pacientes com câncer metastático de origem desconhecida (adenocarcinoma) e bom estado geral, após investigação inicial que não revelou o primário, a quimioterapia combinada empírica é a melhor conduta para controle da doença e melhora da sobrevida.

Contexto Educacional

O câncer de origem primária desconhecida (CUP) representa um desafio diagnóstico e terapêutico na oncologia. Caracteriza-se pela presença de metástases confirmadas histologicamente, sem que o sítio primário do tumor possa ser identificado mesmo após uma investigação diagnóstica completa. O adenocarcinoma é o subtipo histológico mais comum encontrado em CUP, frequentemente com disseminação para múltiplos órgãos, como o fígado e o peritônio, como no caso apresentado. A investigação inicial de um CUP geralmente inclui história clínica detalhada, exame físico, exames laboratoriais, endoscopias (alta e baixa) e tomografias de tórax, abdome e pelve. A biópsia da lesão metastática é crucial para determinar a histologia e, se possível, realizar imuno-histoquímica para tentar inferir a origem primária. No entanto, em muitos casos, o primário permanece oculto. Quando o diagnóstico é de adenocarcinoma metastático de origem desconhecida e a doença já está disseminada, como evidenciado pela carcinomatose abdominal e múltiplas lesões hepáticas, a quimioterapia combinada empírica é a melhor conduta, especialmente se o paciente apresenta bom estado geral (performance status). O objetivo é o controle da doença, alívio dos sintomas e prolongamento da sobrevida, uma vez que a identificação do primário não alteraria significativamente o manejo sistêmico neste estágio avançado. Outras investigações, como marcadores tumorais ou PET/TC, podem ser consideradas em fases iniciais ou para subtipos específicos, mas com doença já avançada e histologia definida, a terapia sistêmica é prioritária.

Perguntas Frequentes

O que é um câncer de origem primária desconhecida (CUP)?

CUP é um diagnóstico onde metástases são identificadas histologicamente, mas o sítio primário do tumor não pode ser determinado após uma investigação diagnóstica padrão. Representa cerca de 3-5% de todos os cânceres.

Quando a quimioterapia empírica é indicada para CUP?

A quimioterapia empírica é indicada quando o subtipo histológico é desfavorável (ex: adenocarcinoma ou carcinoma indiferenciado) e a doença é disseminada, mas o paciente possui bom performance status, visando controle da doença e melhora da sobrevida.

Quais são os principais subtipos histológicos de CUP?

Os principais subtipos incluem adenocarcinoma (o mais comum), carcinoma de células escamosas, carcinoma neuroendócrino e carcinoma indiferenciado. A histologia guia a escolha da quimioterapia empírica.

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