UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Mulher, 58 anos, com mamas volumosas, pendulares, e com tumoração de quatro centímetros em quadrante superolateral da mama esquerda, acompanhada de retração de complexo aréolo-papilar, axila esquerda com gânglio semifixo e endurecido de um centímetro. Realizou biópsia por agulha grossa com diagnóstico de carcinoma não especial, tipo ductal, subtipo molecular triplo negativo. Qual seria o melhor tratamento para esta paciente:
Câncer de mama triplo negativo (TNBC) com tumor grande e gânglio axilar → Quimioterapia neoadjuvante é a conduta inicial para reduzir o tumor e avaliar resposta.
O carcinoma de mama triplo negativo (TNBC) é agressivo e não responde a terapias hormonais ou anti-HER2. A presença de um tumor grande (4 cm) e gânglio axilar endurecido indica doença localmente avançada. Nesses casos, a quimioterapia neoadjuvante é a melhor opção inicial para reduzir o tamanho do tumor, permitir cirurgia conservadora (quadrantectomia) se houver boa resposta, e avaliar a sensibilidade do tumor à quimioterapia, o que tem implicações prognósticas.
O carcinoma de mama triplo negativo (TNBC) é um subtipo molecular agressivo de câncer de mama, caracterizado pela ausência de expressão dos receptores de estrogênio (RE), progesterona (RP) e do receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2). Representa cerca de 15-20% de todos os cânceres de mama e é mais comum em mulheres jovens, com mutações BRCA1 e em certas etnias. Sua importância reside na falta de alvos terapêuticos hormonais ou anti-HER2, tornando a quimioterapia a base do tratamento sistêmico. A presença de uma tumoração de 4 cm e gânglio axilar endurecido indica doença localmente avançada. Nesses casos, a quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória) é a estratégia preferencial. Ela visa reduzir o tamanho do tumor primário e a carga de doença axilar, aumentando a probabilidade de cirurgia conservadora da mama (quadrantectomia) e permitindo a avaliação da resposta patológica completa (RPC), que é um forte preditor de sobrevida no TNBC. Após a quimioterapia neoadjuvante, a conduta cirúrgica é definida pela resposta do tumor. Se houver boa resposta e margens livres, a quadrantectomia com linfadenectomia axilar pode ser realizada. A radioterapia adjuvante é indicada após cirurgia conservadora e, em alguns casos, após mastectomia, dependendo do estadiamento e da resposta. A hormonioterapia não é indicada para TNBC. O manejo multidisciplinar é fundamental para otimizar os resultados.
A quimioterapia neoadjuvante é preferível para reduzir o tamanho do tumor e a carga de doença nos gânglios axilares, aumentando a chance de cirurgia conservadora da mama. Além disso, permite avaliar a resposta patológica do tumor à quimioterapia, o que é um importante fator prognóstico, especialmente em tumores triplo negativos.
Câncer de mama triplo negativo (TNBC) significa que o tumor não expressa receptores de estrogênio (RE), progesterona (RP) e HER2. Isso implica que ele não responde a terapias hormonais ou terapias anti-HER2, tornando a quimioterapia a principal modalidade de tratamento sistêmico.
Após a quimioterapia neoadjuvante, a cirurgia (quadrantectomia ou mastectomia) é realizada para remover o tumor residual. A linfadenectomia axilar é feita se houver gânglios positivos. A radioterapia adjuvante é frequentemente indicada após cirurgia conservadora ou em casos de doença residual significativa, para reduzir o risco de recorrência local.
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