HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher de 45 anos, avaliada em ambulatório devido a nódulo de 4,0 cm na mama direita. Ao exame físico, não há acometimento de linfonodos cervicais, claviculares ou axilares. Sem queixas de doença sistêmica. A biópsia evidenciou carcinoma invasivo do tipo não especial, grau histológico 3. O exame imunohistoquímico acusou receptores de estrogênio e progesterona negativos, HER2 = 0, Ki-67 = 80%. A melhor conduta a tomar neste momento deve ser:
Câncer de mama triplo negativo (ER-/PR-/HER2=0) com Ki-67 alto → Quimioterapia + Imunoterapia (se PD-L1+).
O carcinoma de mama triplo negativo é um subtipo agressivo que não responde à hormonioterapia ou terapias anti-HER2. Com Ki-67 elevado, indica alta proliferação celular. A quimioterapia é a base do tratamento, e a imunoterapia tem demonstrado benefício em pacientes com PD-L1 positivo, sendo frequentemente administrada em regime neoadjuvante.
O câncer de mama é uma das neoplasias mais comuns em mulheres, e sua abordagem terapêutica é complexa e individualizada, baseada em características moleculares e clínicas. O subtipo triplo negativo (ER-/PR-/HER2=0) representa cerca de 10-15% dos casos e é notório por sua agressividade, alta taxa de recorrência e ausência de alvos terapêuticos hormonais ou anti-HER2. A avaliação imunohistoquímica é crucial para determinar o perfil do tumor e guiar a conduta. Neste cenário, a quimioterapia sistêmica é a espinha dorsal do tratamento, frequentemente administrada em regime neoadjuvante (antes da cirurgia) para reduzir o tamanho do tumor, avaliar a resposta patológica completa e melhorar o prognóstico. A presença de um Ki-67 elevado (>20% ou >30%, dependendo do consenso) reforça a necessidade de terapia sistêmica agressiva. Recentemente, a imunoterapia com inibidores de checkpoint (como pembrolizumabe) tem sido incorporada ao tratamento neoadjuvante e adjuvante de pacientes com câncer de mama triplo negativo e expressão de PD-L1, demonstrando melhora na sobrevida livre de eventos. A decisão de tratamento deve considerar o estadiamento clínico, o perfil molecular completo do tumor e as condições clínicas da paciente. A combinação de quimioterapia com imunoterapia representa um avanço significativo para este subtipo de câncer, oferecendo novas esperanças para pacientes que antes tinham opções limitadas. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com as diretrizes mais recentes para oferecer o melhor cuidado possível.
O câncer de mama triplo negativo é caracterizado pela ausência de expressão dos receptores de estrogênio (ER), progesterona (PR) e HER2. É um subtipo agressivo, com alta taxa de proliferação (Ki-67 elevado) e pior prognóstico em comparação com outros subtipos.
A imunoterapia, especialmente com inibidores de PD-1/PD-L1, tem demonstrado benefício em pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático ou localmente avançado, particularmente naqueles com expressão de PD-L1. Ela atua ativando o sistema imunológico para combater as células tumorais.
O Ki-67 é um marcador de proliferação celular. Um Ki-67 elevado (como 80% no caso) indica um tumor com alta taxa de crescimento e divisão celular, o que geralmente se correlaciona com maior agressividade e uma maior probabilidade de resposta à quimioterapia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo