Menopausa Pós-Câncer de Mama: Manejo de Sintomas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 56 anos de idade, menopausa aos 49 anos, com antecedente de câncer de mama in situ há 5 anos, procura o ambulatório com queixa de fogachos e secura vaginal há 1 ano. Qual é a alternativa correta quanto ao manejo dos sintomas?

Alternativas

  1. A) Terapia hormonal com estrogênio associado ao progestagênio, uma vez que a paciente tem útero e não teve câncer de mama invasivo.
  2. B) Uso de antidepressivos recaptadores de serotonina, para melhora dos fogachos, e hidratante vaginal para atrofia genital.
  3. C) A terapia hormonal está contraindicada pois a paciente está fora da janela de oportunidade e pelo aumento do risco cardiovascular.
  4. D) Uso do estrogênio vaginal como primeira escolha para melhora da atrofia genital e fogachos, pois o câncer de mama era in situ.

Pérola Clínica

Câncer de mama (mesmo in situ) → TH contraindicada. Fogachos: ISRS. Secura vaginal: hidratante vaginal.

Resumo-Chave

Em pacientes com histórico de câncer de mama, a terapia hormonal (TH) é contraindicada devido ao risco de recorrência. Para fogachos, ISRS ou IRSN são opções eficazes. Para secura vaginal, o tratamento local com hidratantes vaginais é a primeira escolha, pois não há absorção sistêmica significativa.

Contexto Educacional

O manejo dos sintomas da menopausa em mulheres com histórico de câncer de mama representa um desafio clínico significativo, pois a terapia hormonal (TH) é classicamente contraindicada devido ao risco de recorrência da doença. Mesmo o câncer de mama in situ, que é uma lesão pré-invasiva, impõe essa restrição, pois muitas dessas lesões são hormônio-sensíveis. A paciente em questão apresenta fogachos e secura vaginal, sintomas comuns da menopausa que impactam sua qualidade de vida. Para os fogachos, que são sintomas vasomotores, as opções não hormonais incluem medicamentos como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou de serotonina e noradrenalina (IRSN), gabapentina e clonidina, que demonstraram eficácia na redução da frequência e intensidade. Para a secura vaginal e atrofia genital, o tratamento de primeira linha consiste em terapias locais não hormonais, como hidratantes vaginais de uso regular e lubrificantes à base de água ou silicone durante a atividade sexual. É fundamental que o residente compreenda as contraindicações da TH e as alternativas seguras e eficazes para aliviar os sintomas da menopausa nessas pacientes vulneráveis. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, as comorbidades e as preferências da paciente, sempre priorizando a segurança oncológica.

Perguntas Frequentes

Por que a terapia hormonal é contraindicada em pacientes com histórico de câncer de mama?

A terapia hormonal, tanto sistêmica quanto vaginal, é geralmente contraindicada devido ao risco de estimular a recorrência do câncer de mama, que frequentemente é hormônio-dependente, mesmo que o tumor original fosse in situ.

Quais são as opções de tratamento para fogachos em pacientes com contraindicação à terapia hormonal?

Para fogachos, podem ser utilizados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou de serotonina e noradrenalina (IRSN), gabapentina ou clonidina, que ajudam a reduzir a frequência e intensidade dos episódios.

Como tratar a secura vaginal em mulheres com histórico de câncer de mama?

A primeira linha de tratamento para a secura vaginal é o uso de hidratantes vaginais não hormonais e lubrificantes durante a relação sexual, que melhoram a umidade e a elasticidade da mucosa sem absorção sistêmica.

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