INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma paciente de 53 anos de idade comparece ao ambulatório de Clínica Médica onde faz acompanhamento regular de suas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTS — hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellituse obesidade). Durante a consulta de seguimento, a paciente manifesta preocupação com um 'caroço' que detectou há cerca de 1 mês em sua mama esquerda. Ela nega emagrecimento, dor local ou descarga mamilar. Além das medicações que faz uso em razão de suas DCNTs, a paciente vem em uso de terapia de reposição hormonal (TRH) desde que entrou na menopausa, há 12 anos. Ela tem 5 filhos, tendo sua menarca ocorrida de forma tardia (aos 15 anos). A paciente não fuma, nem consome álcool. Ao exame físico dirigido à queixa atual, o médico detecta a presença de lesão nodular de cerca de 2,5 cm, endurecida, não aderida a planos profundos e sem alterações cutâneas adjacentes, localizada no quadrante superior externo da mama esquerda; não são detectadas linfonodomegalias axilares ou supraclaviculares ipsilaterais. Considerando a hipótese diagnóstica principal de neoplasia maligna de mama, seus fatores de risco relacionados e sua rotina de investigação diagnóstica, assinale a alternativa correta.
RM de mama não aumenta especificidade da mamografia em rastreamento de rotina para câncer de mama em mulheres de risco médio.
A ressonância magnética (RM) de mama é um método de imagem altamente sensível, mas com menor especificidade que a mamografia, especialmente em mulheres de risco médio. Seu uso é geralmente reservado para rastreamento em pacientes de alto risco (ex: mutações genéticas, história familiar forte) ou para estadiamento de doença já confirmada, não sendo indicada rotineiramente para aumentar a especificidade da mamografia em casos como o descrito.
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma, e representa um desafio significativo na saúde pública. A paciente do caso apresenta diversos fatores de risco importantes, como idade (53 anos), obesidade, diabetes mellitus e, crucialmente, o uso prolongado de terapia de reposição hormonal (TRH) por 12 anos. A TRH combinada (estrogênio e progestágeno) é um fator de risco bem estabelecido, aumentando o risco de câncer de mama com a duração do uso. Por outro lado, a menarca tardia (aos 15 anos) e as múltiplas gestações (5 filhos) são considerados fatores protetores. A investigação de um nódulo mamário palpável em uma mulher de 53 anos deve seguir um protocolo que inclui mamografia e ultrassonografia mamária. A ressonância magnética (RM) de mama, embora altamente sensível para detectar lesões, possui uma especificidade menor que a mamografia, o que significa que pode gerar mais falsos positivos e levar a biópsias desnecessárias. Por essa razão, a RM não é recomendada como método de rastreamento de rotina para mulheres de risco médio, nem para aumentar a especificidade da mamografia nesses casos. Sua indicação é restrita a populações de alto risco (ex: mutações BRCA, história familiar forte) ou para estadiamento de doença já confirmada. A avaliação da expressão de receptores hormonais (estrogênio e progestágeno) e HER2 é fundamental para a classificação molecular do tumor e para guiar o tratamento. A mutação hereditária no gene BRCA1 confere um alto risco de câncer de mama, mas não está especificamente ligada à coexpressão de todos os receptores (triplo positivo), sendo mais frequentemente associada a tumores triplo negativos (ER-, PR-, HER2-).
Os fatores de risco para esta paciente incluem idade (>50 anos), obesidade, diabetes mellitus e o uso prolongado de terapia de reposição hormonal (TRH) por 12 anos. Menarca tardia e múltiplas gestações são fatores protetores.
A RM de mama é indicada para rastreamento em mulheres de alto risco (ex: mutações BRCA, história familiar forte), para estadiamento de câncer de mama já diagnosticado, avaliação de implantes mamários e em casos de câncer oculto com metástase axilar.
A TRH combinada (estrogênio e progestágeno) aumenta o risco de câncer de mama, especialmente com uso prolongado (>5 anos). O risco diminui após a interrupção da TRH, mas pode persistir por alguns anos.
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