Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020
Mulher, 77 anos, usuária de prótese dentária superior e inferior. Refere enxaguar os resíduos alimentares das próteses diariamente, antes de dormir. Foi atendida na Unidade Básica de Saúde há 2 meses com lesão dolorosa, ulcerada e friável em língua de cerca de 2 cm. Desde então, houve aumento na frequência de mordedura na língua, com consequente sangramento da lesão. Sem alterações no exame cervical. Qual é a melhor conduta?
Lesão oral ulcerada > 2 semanas, dolorosa e friável, mesmo com trauma crônico → Biópsia incisional para excluir malignidade.
Lesões orais ulceradas que persistem por mais de duas semanas, especialmente em pacientes idosos e com fatores de risco (como trauma crônico por próteses), devem ser investigadas para malignidade. A biópsia incisional da borda da lesão é a conduta mais adequada para obter um diagnóstico histopatológico.
Lesões orais persistentes, especialmente úlceras que não cicatrizam em um período de 15 a 20 dias, são um sinal de alerta crucial na prática médica e odontológica. Em pacientes idosos, com histórico de uso de próteses dentárias e trauma crônico, a suspeita de malignidade, como o carcinoma espinocelular, deve ser elevada. O carcinoma espinocelular é o tipo mais comum de câncer oral e pode se manifestar como uma úlcera dolorosa, friável e com bordas elevadas ou endurecidas. A fisiopatologia envolve a exposição prolongada a fatores irritantes (trauma, tabaco, álcool) que podem levar à displasia e, subsequentemente, à transformação maligna do epitélio. O diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico. A conduta inicial para qualquer lesão oral suspeita que não regride após a remoção de fatores irritantes ou em um curto período de observação é a biópsia. A biópsia incisional é a técnica preferencial para lesões maiores ou com alta suspeita de malignidade, pois permite a remoção de uma porção da lesão, incluindo a transição entre o tecido normal e o patológico, para análise histopatológica. Isso é crucial para determinar a natureza da lesão (benigna, pré-maligna ou maligna) e guiar o tratamento subsequente. Apenas remover o fator irritante ou tentar tratamentos sintomáticos sem um diagnóstico definitivo pode atrasar o tratamento de uma condição potencialmente maligna.
Lesões que não cicatrizam em 15-20 dias, úlceras persistentes, áreas endurecidas, sangramento fácil, dor persistente, crescimento rápido, e linfonodos cervicais aumentados e endurecidos.
A biópsia incisional é preferível para lesões maiores ou suspeitas de malignidade, pois permite obter uma amostra representativa da borda da lesão, incluindo tecido normal e alterado, para análise histopatológica.
O trauma crônico, como o causado por próteses mal adaptadas, é considerado um fator irritativo que pode contribuir para a transformação maligna de células, especialmente em conjunto com outros fatores de risco como tabagismo e etilismo.
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