SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Em relação ao câncer gástrico tipo difuso da classificação de Lauren, assinale a afirmativa INCORRETA.
Lauren Difuso = Células em anel de sinete, disseminação transmural/peritoneal, pior prognóstico e PET-SCAN limitado.
O tipo difuso de Lauren é caracterizado pela perda de E-caderina, resultando em células pouco coesas que infiltram a parede gástrica difusamente, dificultando o diagnóstico e o estadiamento por imagem.
A Classificação de Lauren permanece como um dos pilares para entender a biologia do câncer gástrico. O tipo difuso representa um desafio diagnóstico e terapêutico, pois muitas vezes não forma massas exofíticas, crescendo de forma infiltrativa sob uma mucosa que pode parecer normal à endoscopia inicial. A associação com a síndrome de câncer gástrico difuso hereditário (mutação no CDH1) deve ser sempre considerada em pacientes jovens ou com história familiar positiva. O manejo cirúrgico do tipo difuso requer margens de segurança maiores (5 a 8 cm) devido à sua natureza infiltrativa. Além disso, o estadiamento deve ser rigoroso; como o PET-SCAN e a TC podem subestimar a extensão da doença peritoneal, a laparoscopia diagnóstica com citologia oncótica do lavado peritoneal é recomendada antes de se proceder com a ressecção curativa. O prognóstico é reservado, e a resposta à quimioterapia convencional costuma ser inferior à observada no tipo intestinal.
O tipo difuso da classificação de Lauren é um adenocarcinoma gástrico indiferenciado, caracterizado pela ausência de formação glandular e pela presença de células pouco coesas, frequentemente com morfologia em 'anel de sinete' (devido ao acúmulo de muco intracitoplasmático que desloca o núcleo). Epidemiologicamente, acomete pacientes mais jovens, sem predileção clara pelo sexo masculino (diferente do tipo intestinal) e não possui forte associação com fatores ambientais ou gastrite atrófica. Geneticamente, está muito ligado à perda de expressão da E-caderina (gene CDH1). Clinicamente, apresenta comportamento agressivo, com infiltração submucosa extensa que pode levar à linitis plastica, tornando o estômago rígido.
O PET-SCAN com 18F-FDG apresenta baixa sensibilidade no câncer gástrico tipo difuso por diversos fatores biológicos. Primeiro, esse tumor possui uma densidade celular menor devido ao padrão de crescimento infiltrativo e à grande quantidade de estroma fibroso (desmoplasia). Segundo, as células em anel de sinete possuem um metabolismo de glicose mais baixo e expressam menos transportadores GLUT-1 em comparação com o tipo intestinal. Além disso, a produção intracelular de muco ocupa grande parte do volume celular, reduzindo a captação do radiotraçador. Por essas razões, um PET-SCAN negativo não exclui a presença de doença ativa ou metástases no tipo difuso, sendo a laparoscopia de estadiamento fundamental.
Diferente do adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal, que frequentemente apresenta disseminação hematogênica (especialmente para o fígado), o tipo difuso tem uma marcante predileção pela disseminação transmural e linfática precoce. Isso resulta em uma alta incidência de carcinomatose peritoneal e metástases para os linfonodos regionais e distantes. A infiltração lateral na submucosa costuma ultrapassar os limites macroscópicos da lesão, o que exige margens cirúrgicas mais amplas (geralmente gastrectomia total). A via hematogênica é menos comum como via primária de metástase, tornando o prognóstico geralmente pior devido à dificuldade de controle da doença peritoneal.
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