UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 67 anos, queixa-se de epigastralgia EDA: lesão polipoide de 1,5 cm não ulcerada em antro gástrico. Biópsia da lesão: adenocarcinoma tipo intestinal (tubular). TC do tórax e abdome total: sem alterações. Ecoendoscopia: lesão próxima da muscular da mucosa, porém sem indicativos de invasão. Pode-se afirmar que a conduta terapêutica mais adequada é:
Adenocarcinoma gástrico < 2cm + tipo intestinal + sem invasão muscular → Ressecção Endoscópica.
O câncer gástrico precoce com baixo risco de metástase linfonodal (lesões pequenas, bem diferenciadas e restritas à mucosa) pode ser tratado curativamente por via endoscópica.
O adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal de Lauren geralmente segue a sequência metaplasia-displasia-carcinoma. Quando detectado precocemente como uma lesão polipoide pequena e sem invasão da muscular própria (confirmada por ecoendoscopia), o risco de metástase para linfonodos perigástricos é virtualmente zero. A ressecção endoscópica, preferencialmente a Dissecção Endoscópica de Submucosa (ESD), permite a retirada da lesão em monobloco com margens livres, preservando o órgão e a qualidade de vida do paciente. Após o procedimento, a peça deve ser rigorosamente analisada pelo patologista para confirmar se a ressecção foi curativa (margens negativas, ausência de invasão linfovascular e profundidade adequada).
O câncer gástrico precoce é definido como aquele limitado à mucosa (T1a) ou submucosa (T1b), independentemente da presença de metástases linfonodais. O prognóstico é excelente, com sobrevida em 5 anos superior a 90% quando tratado adequadamente.
Os critérios clássicos (japoneses) incluem: adenocarcinoma do tipo intestinal (bem ou moderadamente diferenciado), lesão restrita à mucosa (T1a), diâmetro menor que 2 cm e ausência de ulceração macroscópica. Lesões que fogem a esses critérios podem ser tratadas por ESD sob critérios expandidos.
A ecoendoscopia (EUS) é o melhor método para avaliar a profundidade da invasão na parede gástrica (estadiamento T). Ela diferencia se a lesão atinge apenas a mucosa, a submucosa ou se invade a muscular própria, sendo crucial para decidir entre o tratamento endoscópico ou cirúrgico radical.
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