Câncer Gástrico Precoce: Diagnóstico e Opções de Tratamento

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem submetido à investigação de câncer gástrico apresenta o seguinte achado de biópsia em lesão no antro gástrico: adenocarcinoma, tipo intestinal, restrito a mucosa. Assinale a alternativa que apresenta a classificação da lesão e o possível tratamento dela:

Alternativas

  1. A) Câncer gástrico invasivo; quimioterapia em neoadjuvante.
  2. B) Câncer gástrico precoce, gastrectomia fatal.
  3. C) GIST: gastrectomia em cunha.
  4. D) Câncer gástrico precoce, ressecção endoscópica.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma restrito à mucosa (T1a) + Tipo intestinal → Ressecção endoscópica.

Resumo-Chave

O câncer gástrico precoce (restrito à mucosa ou submucosa) do tipo intestinal e sem ulceração tem baixo risco de metástase linfonodal, permitindo o tratamento curativo via endoscopia (ESD/EMR).

Contexto Educacional

O câncer gástrico precoce representa um estágio onde a cura é altamente provável. A biópsia que revela adenocarcinoma do tipo intestinal restrito à mucosa é o cenário ideal para a terapia endoscópica. A técnica de ESD (Endoscopic Submucosal Dissection) permite a retirada da lesão com margens livres, preservando o órgão e mantendo a qualidade de vida do paciente. A diferenciação entre câncer precoce e invasivo é feita inicialmente pela endoscopia com cromoscopia ou ecoendoscopia, mas a confirmação final é histológica. O tratamento cirúrgico (gastrectomia) fica reservado para casos que não preenchem os critérios de segurança para endoscopia, como lesões indiferenciadas, ulceradas ou com invasão profunda da submucosa, onde o risco de comprometimento linfonodal exige a linfadenectomia.

Perguntas Frequentes

O que define o câncer gástrico como 'precoce'?

O câncer gástrico precoce (Early Gastric Cancer - EGC) é definido como o adenocarcinoma limitado à mucosa (T1a) ou à submucosa (T1b), independentemente da presença de metástases em linfonodos regionais. Esta definição é crucial porque o prognóstico é significativamente melhor do que no câncer gástrico avançado, com taxas de sobrevida em 5 anos superiores a 90%. O diagnóstico depende da análise histopatológica da peça ressecada, que confirma a profundidade da invasão na parede gástrica.

Quais são os critérios para ressecção endoscópica no câncer gástrico?

Os critérios clássicos (Japoneses) para ressecção endoscópica (EMR ou ESD) incluem: adenocarcinoma do tipo intestinal (Lauren), bem ou moderadamente diferenciado, restrito à mucosa (T1a), com tamanho menor que 2 cm e sem evidência de ulceração. Critérios expandidos permitem tratar lesões maiores, ulceradas ou com leve invasão submucosa, desde que o risco de metástase linfonodal seja considerado desprezível (geralmente <1%). A técnica de Dissecção Submucosa Endoscópica (ESD) é preferível por permitir ressecção em monobloco de lesões maiores.

Qual a diferença entre o tipo intestinal e o tipo difuso de Lauren?

A classificação de Lauren divide o adenocarcinoma gástrico em dois tipos principais: Intestinal e Difuso. O tipo intestinal é mais comum em idosos, associado à gastrite atrófica e metaplasia intestinal, formando estruturas glandulares; tende a ter um crescimento expansivo e melhor prognóstico. O tipo difuso (células em anel de sinete) é mais comum em pacientes jovens, tem caráter infiltrativo, pior prognóstico e maior risco de disseminação linfonodal e peritoneal, o que geralmente contraindica a ressecção endoscópica mesmo em fases precoces.

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