Câncer Gástrico Precoce: Ressecção Endoscópica em Idosos com Comorbidades

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 93 anos, cardiopata diabético é portador de um adenocarcinoma gástrico tipo intestinal, bem diferenciado de 3 mm, localizado na grande curvatura, distando 12 cm do esôfago. A ecoendoscopia mostra invasão apenas da mucosa. Podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Apesar de poder ser considerado uma neoplasia precoce, o risco de metástases linfonodais é alto. O tratamento deve, desta forma, incluir um bom preparo pré-operatório (cardiologia, pneumologia, controle glicêmico e uma gastrectomia com linfadenectomia.
  2. B) Mesmo levando-se em conta o baixo de risco de metástases linfonodais, o benefício de uma gastrectomia total alargada com linfadenectomia D2 é inquestionável.
  3. C) Levando-se em conta o baixo risco de metástases linfonodais, a presença de tumor precoce bem diferenciado e os riscos inerentes às co-morbidezes do doente, a realização de uma ressecção endoscópica do tumor (mucosectomia por pessoal especializado pode ser considerada um tratamento ideal.
  4. D) Qualquer tipo de procedimento, endoscópico ou cirúrgico, está proscrito neste doente, considerando que não há chance de cura.

Pérola Clínica

Câncer gástrico precoce (invasão mucosa), bem diferenciado, < 2 cm, sem ulceração → Ressecção endoscópica.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades e adenocarcinoma gástrico precoce (invasão restrita à mucosa, bem diferenciado, sem ulceração, < 2 cm), a ressecção endoscópica é uma opção de tratamento curativo com menor morbimortalidade.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia de alta morbimortalidade, mas o diagnóstico em estágio precoce oferece chances significativas de cura. O câncer gástrico precoce é definido pela invasão limitada à mucosa ou submucosa, independentemente do status linfonodal. Para tumores gástricos precoces com baixo risco de metástase linfonodal, a ressecção endoscópica (mucosectomia ou dissecção submucosa endoscópica) tornou-se uma opção de tratamento curativo. Os critérios para essa abordagem incluem tumores bem diferenciados, tamanho inferior a 2 cm, ausência de ulceração e invasão restrita à mucosa. Em casos de invasão submucosa, o tamanho e a profundidade da invasão são fatores adicionais a serem considerados. No cenário de um paciente idoso (93 anos) com múltiplas comorbidades (cardiopata, diabético), a escolha do tratamento deve equilibrar a eficácia oncológica com a segurança do procedimento. Um adenocarcinoma gástrico tipo intestinal, bem diferenciado, de 3 mm e restrito à mucosa, apresenta um risco muito baixo de metástases linfonodais. Nesses casos, a ressecção endoscópica, por ser menos invasiva, oferece um excelente controle oncológico com morbimortalidade significativamente menor do que uma gastrectomia, tornando-a a opção ideal para este perfil de paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um adenocarcinoma gástrico como precoce?

Adenocarcinoma gástrico precoce é definido pela invasão limitada à mucosa ou submucosa, independentemente da presença de metástases linfonodais.

Quando a ressecção endoscópica é uma opção para câncer gástrico precoce?

A ressecção endoscópica é indicada para câncer gástrico precoce com baixo risco de metástase linfonodal, geralmente tumores bem diferenciados, < 2 cm, sem ulceração e invasão restrita à mucosa.

Por que a ressecção endoscópica é vantajosa para pacientes idosos com comorbidades?

A ressecção endoscópica é minimamente invasiva, associada a menor morbimortalidade e melhor qualidade de vida em comparação com a cirurgia aberta, sendo ideal para pacientes com alto risco cirúrgico devido a comorbidades.

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