SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Sabe-se que as técnicas de rastreamento para neoplasias com incidência elevada possuem o objetivo primário de diminuição da mortalidade dos pacientes acometidos. É sabido que paciente cirróticos que são submetidos ao rastreio semestral com ecografia abdominal tem menor mortalidade por hepatocarcinoma do que aqueles que não são submetidos a este rastreio. Partindo dessa lógica, assinale a alternativa correta sobre as técnicas de rastreamento do câncer gástrico:
Rastreio de câncer gástrico com EDA é rotina em países de alta incidência, mas faltam ensaios clínicos randomizados.
Diferente do câncer colorretal ou de mama, o rastreamento universal do câncer gástrico não é recomendado no Brasil devido à falta de evidência de custo-benefício e redução de mortalidade populacional.
O câncer gástrico continua sendo uma das principais causas de morte por câncer no mundo. Sua carcinogênese segue frequentemente a cascata de Correa: gastrite crônica → atrofia gástrica → metaplasia intestinal → displasia → adenocarcinoma. Enquanto o rastreio populacional é custo-efetivo apenas em áreas de altíssima prevalência (Leste Asiático), a estratégia em países de média incidência como o Brasil foca na identificação de grupos de risco. A escolha do método diagnóstico padrão-ouro para investigação é sempre a Endoscopia Digestiva Alta com biópsias. Métodos como radiografia contrastada com bário ou tomografia não possuem sensibilidade adequada para o rastreio de lesões precoces. A prevenção secundária baseia-se na vigilância endoscópica de condições pré-malignas detectadas incidentalmente.
Japão e Coreia do Sul possuem as maiores incidências mundiais de câncer gástrico. Nesses países, programas nacionais de rastreio (com EDA ou radiografia contrastada) são implementados para detectar lesões precoces passíveis de tratamento curativo (como ressecção endoscópica). Embora estudos observacionais sugiram benefício na detecção precoce, a ausência de ensaios clínicos randomizados de larga escala que comprovem a redução da mortalidade específica ainda é um ponto de debate na literatura internacional.
No Brasil, não existe recomendação de rastreamento populacional sistemático para indivíduos assintomáticos sem fatores de risco. A endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada para pacientes com 'sinais de alarme' (perda ponderal, anemia, disfagia, vômitos persistentes) ou em grupos de alto risco, como aqueles com gastrite atrófica grave, metaplasia intestinal extensa ou síndromes genéticas predisponentes (ex: Câncer Gástrico Difuso Hereditário).
A erradicação do Helicobacter pylori é considerada a principal estratégia de prevenção primária do câncer gástrico não cárdico. O H. pylori é classificado como um carcinógeno do grupo 1 pela OMS. Estudos demonstram que o tratamento da infecção reduz o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma gástrico, especialmente se realizado antes do desenvolvimento de lesões pré-neoplásicas irreversíveis, como a atrofia gástrica severa e a metaplasia intestinal.
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