Câncer Gástrico: Fatores de Risco e Linfadenectomia D2

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Sobre o câncer gástrico, assinale a opção INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Síndromes hereditárias de câncer colorretal como a Polipose Adenomatosa Familiar e a síndrome de Lynch são fatores de risco para câncer gástrico.
  2. B) Baixo consumo de frutas e verduras, resultando em dieta pobre em fibra, é um fator de risco para câncer gástrico.
  3. C) A laparoscopia tem alta taxa de sensibilidade para detectar metástases ocultas e portanto é útil no estadiamento.
  4. D) A ressecção endoscópica é possível em casos selecionados: tumores pequenos, limitados à mucosa e com fatores de risco favoráveis.
  5. E) Um maior número de linfonodos ressecados têm trazido melhor prognóstico, com isso, a ressecção linfonodal extensa (D3) tem sido indicada.

Pérola Clínica

Linfadenectomia D2 é o padrão ouro para câncer gástrico ressecável; D3 não demonstrou benefício adicional.

Resumo-Chave

A linfadenectomia D2 é o padrão ouro para o câncer gástrico ressecável, oferecendo o melhor equilíbrio entre ressecção oncológica adequada e morbimortalidade. A linfadenectomia D3, mais extensa, não demonstrou melhora na sobrevida e está associada a maior morbidade, não sendo rotineiramente indicada.

Contexto Educacional

O câncer gástrico é uma das neoplasias mais comuns e letais globalmente, com alta incidência em algumas regiões da Ásia e América do Sul. Sua importância clínica reside na dificuldade de diagnóstico precoce, já que os sintomas iniciais são inespecíficos, e na complexidade do seu manejo, que envolve cirurgia, quimioterapia e, por vezes, radioterapia. A compreensão dos fatores de risco e das abordagens terapêuticas é fundamental para residentes. A fisiopatologia do câncer gástrico é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e infecciosos, como a infecção crônica por Helicobacter pylori. Fatores de risco incluem dietas ricas em sal e nitritos, tabagismo, alcoolismo, e síndromes hereditárias como a Polipose Adenomatosa Familiar e a Síndrome de Lynch. O estadiamento preciso é crucial para guiar o tratamento, e a laparoscopia diagnóstica desempenha um papel importante na detecção de metástases ocultas. O tratamento do câncer gástrico ressecável é primariamente cirúrgico, com gastrectomia e linfadenectomia. A linfadenectomia D2 é o padrão ouro, comprovadamente associada a melhor sobrevida e menor morbidade em comparação com a D1. A ressecção endoscópica é uma opção para tumores muito precoces, limitados à mucosa e com características favoráveis. A linfadenectomia D3, embora mais extensa, não demonstrou benefício de sobrevida em ensaios clínicos e é associada a maior morbidade, não sendo recomendada de rotina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o câncer gástrico?

Os principais fatores de risco incluem infecção por H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo, alto consumo de sal e alimentos defumados, baixo consumo de frutas e vegetais, e síndromes genéticas como Polipose Adenomatosa Familiar e Síndrome de Lynch.

Qual o papel da laparoscopia no estadiamento do câncer gástrico?

A laparoscopia diagnóstica é crucial no estadiamento do câncer gástrico, especialmente para detectar metástases peritoneais ou hepáticas ocultas que não são visíveis em exames de imagem pré-operatórios, evitando cirurgias desnecessárias em pacientes com doença avançada.

Qual a diferença entre linfadenectomia D1, D2 e D3 no câncer gástrico?

A linfadenectomia D1 remove linfonodos perigástricos. A D2, padrão ouro, remove linfonodos perigástricos e aqueles ao longo das artérias principais do tronco celíaco. A D3 envolve a remoção de linfonodos ainda mais distantes, não sendo rotineiramente recomendada devido ao aumento da morbidade sem benefício de sobrevida.

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