SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Mulher, 65 anos de idade, procura o ambulatório de cirurgia geral com queixa de azia e empachamento há cinco meses, com piora nas últimas semanas e perda ponderal. Refere dor em epigástrio após a alimentação. Nega náusea, vômitos ou hematêmese. Ao exame físico, bom estado geral, descorada +1/+4, FC: 68bpm, PA: 124x72mmHg; abdome plano, flácido, com dor à palpação profunda de epigástrio e com descompressão brusca negativa; toque retal sem alterações. A paciente foi submetida à endoscopia digestiva alta (imagem da endoscopia).Indique o exame complementar que deve ser realizado em associação com a endoscopia digestiva alta:
Lesão gástrica suspeita na EDA + Sinais de alarme → Biópsia imediata para histopatologia.
A endoscopia digestiva alta em pacientes com perda ponderal e dor epigástrica visa identificar neoplasias; a biópsia é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica.
O câncer gástrico continua sendo uma das principais causas de morte por câncer no mundo. O diagnóstico precoce é fundamental e depende da identificação de lesões suspeitas durante a endoscopia digestiva alta (EDA). Pacientes idosos que apresentam sintomas dispépticos associados a sinais de alarme, como perda de peso e anemia (indicada no caso pelo estado descorado), devem ser submetidos à EDA com biópsia sistemática. A biópsia é o procedimento que permite a análise histopatológica, diferenciando entre lesões benignas (como úlceras pépticas) e malignas (como o adenocarcinoma gástrico). Embora a pesquisa de H. pylori seja importante na patogênese, ela não substitui a necessidade de biópsia em uma lesão visível. O estadiamento por TC de abdome só deve ser realizado após a confirmação da neoplasia.
Os sinais de alarme incluem perda ponderal involuntária, anemia, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, massa abdominal palpável e linfadenopatia. Em pacientes acima de 45-55 anos com dispepsia nova, a EDA é mandatória para excluir neoplasias gástricas ou esofágicas, mesmo na ausência de outros sintomas graves que indiquem malignidade avançada.
A biópsia obtida via EDA fornece o diagnóstico histopatológico definitivo, essencial para definir o tipo de tumor (ex: adenocarcinoma vs. linfoma). A Tomografia Computadorizada é um exame de estadiamento, realizado após a confirmação diagnóstica para avaliar invasão local, metástases e linfonodopatias, não sendo o primeiro passo para diagnóstico de lesão intraluminal.
Para lesões gástricas suspeitas de malignidade, recomenda-se a coleta de pelo menos 6 a 8 fragmentos de diferentes áreas da lesão (bordas e centro) para maximizar a sensibilidade diagnóstica, que pode chegar a mais de 95% com esse número de amostras, reduzindo o risco de falso-negativos por necrose superficial.
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