Suporte Nutricional no Câncer de Esôfago Avançado

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um trabalhador braçal com 68 anos de idade e hipertensão arterial leve tratada de forma irregular, tabagista crônico (1 a 2 maços de cigarro/dia) e etilista de bebida destilada, apresentou quadro de disfagia a sólidos que evoluiu para líquidos, seguido de perda de peso maior que 20 kg nos últimos 60 dias. Realizada a endoscopia digestiva, foi confirmado o diagnóstico de neoplasia de esôfago. O estadiamento da doença mostrou doença localmente avançada (T4N0M0), tendo sido indicado tratamento neoadjuvante com radioterapia e reavaliação futura para intervenção terapêutica. Nesse caso, a forma de suporte nutricional adequada para esse paciente é a nutrição:

Alternativas

  1. A) Enteral por meio de sonda nasogástrica ou gastrostomia endoscópica percutânea, preservandose assim a função do trato gastrointestinal.
  2. B) Parenteral total, por permitir maior aporte nutricional aos pacientes gravemente desnutridos como nas neoplasias avançadas.
  3. C) Parenteral periférica, por permitir bom aporte nutricional, com diminuição dos riscos relacionados à nutrição parenteral total.
  4. D) Enteral por via oral, pois é o meio mais fisiológico e permite o aporte de nutrientes sem os riscos relacionados à nutrição parenteral total e a nutrição enteral.

Pérola Clínica

Disfagia grave + perda ponderal em CA esôfago → Nutrição Enteral (SNG ou GEP) preferencial.

Resumo-Chave

Em pacientes com câncer de esôfago e trato gastrointestinal funcional, a via enteral é superior à parenteral por manter a barreira mucosa e reduzir riscos infecciosos.

Contexto Educacional

O manejo nutricional no câncer de esôfago é um pilar fundamental do tratamento, pois a desnutrição severa (causada pela disfagia progressiva e pelo estado catabólico da neoplasia) aumenta a morbimortalidade e a toxicidade da radioterapia. O estadiamento T4 indica invasão de estruturas adjacentes, tornando a neoadjuvância essencial para tentar a citorredução. A escolha da via de alimentação segue a regra de ouro da nutrologia: 'se o intestino funciona, use-o'. A preservação da função trófica do TGI reduz a resposta inflamatória sistêmica. A reavaliação periódica é necessária, pois a radioterapia pode causar esofagite actínica, piorando temporariamente a disfagia e exigindo vias de acesso mais definitivas como a gastrostomia ou jejunostomia.

Perguntas Frequentes

Por que preferir a via enteral em pacientes com câncer de esôfago?

A via enteral é preferível porque é mais fisiológica, ajuda a manter a integridade da barreira mucosa intestinal, previne a translocação bacteriana e apresenta menor taxa de complicações infecciosas e metabólicas quando comparada à nutrição parenteral total (NPT). Em pacientes com neoplasia de esôfago que possuem o restante do trato gastrointestinal funcional, o uso de sondas ou gastrostomia permite o aporte calórico-proteico necessário para suportar o tratamento neoadjuvante (radioterapia/quimioterapia) sem os riscos de cateter central e sepse associados à NPT.

Quando indicar gastrostomia (GEP) em vez de sonda nasogástrica?

A gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) é indicada quando se prevê um suporte nutricional de longa duração (geralmente superior a 4-6 semanas). No contexto do câncer de esôfago avançado, onde o paciente passará por semanas de radioterapia neoadjuvante e possível cirurgia futura, a GEP oferece maior conforto, menor risco de deslocamento e melhor qualidade de vida do que a sonda nasogástrica, embora ambas sejam opções válidas de via enteral.

Quais os riscos da nutrição parenteral total (NPT) neste cenário?

A NPT deve ser reservada apenas para casos onde o trato gastrointestinal é absolutamente inviável. Seus riscos incluem infecções relacionadas ao cateter venoso central, distúrbios hidroeletrolíticos, hiperglicemia, esteatose hepática e atrofia da mucosa intestinal por desuso. No paciente oncológico já imunossuprimido, evitar infecções de corrente sanguínea é crucial para não interromper o cronograma de tratamento neoadjuvante.

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