INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um trabalhador braçal com 68 anos de idade e hipertensão arterial leve tratada de forma irregular, tabagista crônico (1 a 2 maços de cigarro/dia) e etilista de bebida destilada, apresentou quadro de disfagia a sólidos que evoluiu para líquidos, seguido de perda de peso maior que 20 kg nos últimos 60 dias. Realizada a endoscopia digestiva, foi confirmado o diagnóstico de neoplasia de esôfago. O estadiamento da doença mostrou doença localmente avançada (T4N0M0), tendo sido indicado tratamento neoadjuvante com radioterapia e reavaliação futura para intervenção terapêutica. Nesse caso, a forma de suporte nutricional adequada para esse paciente é a nutrição:
Disfagia grave + perda ponderal em CA esôfago → Nutrição Enteral (SNG ou GEP) preferencial.
Em pacientes com câncer de esôfago e trato gastrointestinal funcional, a via enteral é superior à parenteral por manter a barreira mucosa e reduzir riscos infecciosos.
O manejo nutricional no câncer de esôfago é um pilar fundamental do tratamento, pois a desnutrição severa (causada pela disfagia progressiva e pelo estado catabólico da neoplasia) aumenta a morbimortalidade e a toxicidade da radioterapia. O estadiamento T4 indica invasão de estruturas adjacentes, tornando a neoadjuvância essencial para tentar a citorredução. A escolha da via de alimentação segue a regra de ouro da nutrologia: 'se o intestino funciona, use-o'. A preservação da função trófica do TGI reduz a resposta inflamatória sistêmica. A reavaliação periódica é necessária, pois a radioterapia pode causar esofagite actínica, piorando temporariamente a disfagia e exigindo vias de acesso mais definitivas como a gastrostomia ou jejunostomia.
A via enteral é preferível porque é mais fisiológica, ajuda a manter a integridade da barreira mucosa intestinal, previne a translocação bacteriana e apresenta menor taxa de complicações infecciosas e metabólicas quando comparada à nutrição parenteral total (NPT). Em pacientes com neoplasia de esôfago que possuem o restante do trato gastrointestinal funcional, o uso de sondas ou gastrostomia permite o aporte calórico-proteico necessário para suportar o tratamento neoadjuvante (radioterapia/quimioterapia) sem os riscos de cateter central e sepse associados à NPT.
A gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) é indicada quando se prevê um suporte nutricional de longa duração (geralmente superior a 4-6 semanas). No contexto do câncer de esôfago avançado, onde o paciente passará por semanas de radioterapia neoadjuvante e possível cirurgia futura, a GEP oferece maior conforto, menor risco de deslocamento e melhor qualidade de vida do que a sonda nasogástrica, embora ambas sejam opções válidas de via enteral.
A NPT deve ser reservada apenas para casos onde o trato gastrointestinal é absolutamente inviável. Seus riscos incluem infecções relacionadas ao cateter venoso central, distúrbios hidroeletrolíticos, hiperglicemia, esteatose hepática e atrofia da mucosa intestinal por desuso. No paciente oncológico já imunossuprimido, evitar infecções de corrente sanguínea é crucial para não interromper o cronograma de tratamento neoadjuvante.
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