FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Um paciente do sexo masculino com 60 anos de idade, branco, casado, com história de disfagia progressiva de sólidos para líquidos, relatando ser tabagista com carga tabágica de 30 maços/ano e ingesta diária de destilados, além de perda ponderal de 8 kg em 3 meses. Realizou Endoscopia Digestiva Alta que apresentou lesão no terço inferior do esôfago, elevada, ulcerada com diminuição da luz do esôfago, impedindo a passagem do aparelho. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta a ser tomada?
Disfagia progressiva + tabagismo/etilismo + perda ponderal + lesão obstrutiva em EDA = Câncer de Esôfago → Estadiamento urgente.
A tríade de disfagia progressiva (sólidos para líquidos), perda ponderal e fatores de risco como tabagismo e etilismo, associada a uma lesão obstrutiva e ulcerada no esôfago visualizada na EDA, é altamente sugestiva de câncer de esôfago. A conduta imediata após a biópsia é o estadiamento completo para definir o plano terapêutico.
O câncer de esôfago é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, o que ressalta a importância do reconhecimento precoce dos sintomas. Os principais tipos histológicos são o carcinoma epidermoide (associado a tabagismo e etilismo) e o adenocarcinoma (associado ao esôfago de Barrett e refluxo gastroesofágico). A epidemiologia varia geograficamente, mas a incidência tem aumentado em algumas regiões. A apresentação clínica clássica inclui disfagia progressiva (primeiro para sólidos, depois para líquidos), perda ponderal significativa e dor retroesternal. Fatores de risco como tabagismo e etilismo são cruciais na anamnese. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsia é o método diagnóstico padrão, permitindo a visualização direta da lesão e a obtenção de material para análise histopatológica. A lesão descrita no enunciado, elevada, ulcerada e obstrutiva, é altamente sugestiva de malignidade. Uma vez confirmada a malignidade por biópsia, a conduta imediata é o estadiamento completo da doença. Isso envolve exames de imagem como tomografia computadorizada de tórax e abdome, PET-CT e ultrassonografia endoscópica, para avaliar a extensão local, o envolvimento linfonodal e a presença de metástases à distância. O estadiamento é fundamental para definir a ressecabilidade do tumor e planejar o tratamento mais adequado, que pode incluir cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo, etilismo, esôfago de Barrett (para adenocarcinoma), acalasia, tilose e ingestão de cáusticos.
A disfagia no câncer de esôfago tipicamente começa com dificuldade para sólidos, progredindo gradualmente para líquidos, devido ao crescimento tumoral que obstrui a luz esofágica.
A EDA é crucial para visualizar a lesão, determinar sua localização e extensão aparente, e realizar biópsias para confirmação histopatológica, que é essencial para o diagnóstico de câncer de esôfago.
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