UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Em relação ao uso de radioterapia e quimioterapia neoadjuvante seguido de esofagectomia no tratamento do câncer de esôfago, é correto afirmar que:
Neoadjuvância (CROSS) no CA de esôfago → ↑ Sobrevida global e controle local em CEC e Adeno.
O tratamento neoadjuvante com quimiorradioterapia seguido de cirurgia é o padrão para tumores de esôfago localmente avançados, melhorando significativamente a sobrevida global.
O tratamento do câncer de esôfago evoluiu de uma abordagem puramente cirúrgica para uma estratégia multimodal. Para tumores localmente avançados (estádios II e III), a cirurgia isolada apresenta altas taxas de recorrência local e sistêmica. A introdução da quimiorradioterapia neoadjuvante visa o 'downstaging' tumoral, o tratamento de micrometástases e o aumento das taxas de ressecção com margens livres (R0). A evidência atual sustenta que a terapia trimodal é superior à cirurgia isolada tanto para o carcinoma de células escamosas (CEC) quanto para o adenocarcinoma. Em pacientes que atingem resposta patológica completa na peça cirúrgica, o prognóstico é excelente. A escolha entre quimiorradioterapia (CROSS) ou quimioterapia perioperatória (FLOT - mais comum em adenocarcinomas da transição esofagogástrica) depende da localização do tumor e das condições clínicas do paciente.
O protocolo CROSS (ChemoRadiotherapy for Oesophageal cancer followed by Surgery Study) estabeleceu o uso de carboplatina e paclitaxel associados à radioterapia (41.4 Gy) antes da esofagectomia. Este estudo demonstrou que a terapia trimodal aumenta significativamente a sobrevida global mediana (49 meses vs 24 meses) e as taxas de ressecção R0 em comparação com a cirurgia isolada, tornando-se o padrão de cuidado para tumores T1N+ ou T2-T3N0-3.
Embora a radioterapia e a quimioterapia possam induzir fibrose e toxicidade sistêmica, grandes ensaios clínicos, incluindo o CROSS, mostraram que a neoadjuvância não aumenta significativamente a mortalidade pós-operatória ou as complicações cirúrgicas maiores quando realizada em centros de excelência. O benefício na sobrevida a longo prazo supera os riscos potenciais de toxicidade aguda do tratamento pré-operatório.
O carcinoma epidermoide (CEC) tende a apresentar uma taxa de resposta patológica completa (pCR) maior do que o adenocarcinoma após a neoadjuvância (cerca de 49% vs 23%). No entanto, ambos os subtipos histológicos apresentam ganho estatisticamente significativo em sobrevida global e sobrevida livre de doença com a estratégia neoadjuvante, justificando sua indicação para ambos os tipos de tumor.
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