SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Um tumor de terço médio de esôfago, que ultrapassa a muscular invadindo o tecido areolar periesofagiano e apresenta quatro gânglios contaminados, deverá ser classificado como:
Invasão de tecido areolar = T3; 3 a 6 linfonodos acometidos = N2.
O estadiamento TNM do câncer de esôfago classifica como T3 a invasão da adventícia/tecido areolar e como N2 o acometimento de 3 a 6 linfonodos regionais.
O estadiamento preciso do carcinoma de esôfago (seja epidermoide ou adenocarcinoma) é crucial para definir a estratégia terapêutica. O uso de ecoendoscopia (EUS) é o padrão-ouro para avaliar a profundidade da invasão na parede (T) e a presença de linfonodos suspeitos (N), enquanto a TC de tórax/abdome e o PET-CT avaliam metástases à distância (M). Pacientes classificados como T3 ou N+ (como o caso T3N2 apresentado) são candidatos ideais para tratamento trimodal: quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia (esofagectomia). A invasão da adventícia (T3) indica uma doença localmente avançada, e o número de linfonodos (N2) reflete uma carga metastática regional significativa que compromete o prognóstico se não abordada de forma sistêmica.
O estágio T3 é definido quando o tumor invade a camada adventícia do esôfago. Como o esôfago não possui uma camada serosa (exceto na porção intra-abdominal distal), a progressão além da camada muscular própria atinge diretamente o tecido conjuntivo areolar periesofágico (adventícia). Essa característica anatômica facilita a disseminação local precoce para estruturas adjacentes, tornando o diagnóstico em estágios T1 ou T2 mais difícil na prática clínica.
De acordo com a 8ª edição do AJCC/UICC, o status N no câncer de esôfago é determinado pelo número de linfonodos regionais metastáticos: N0 (nenhum), N1 (1 a 2 linfonodos), N2 (3 a 6 linfonodos) e N3 (7 ou mais linfonodos). Esta classificação numérica é um dos preditores prognósticos mais importantes para a sobrevida global do paciente, influenciando diretamente a indicação de terapia neoadjuvante com quimiorradioterapia (esquema CROSS).
Tumores do terço médio do esôfago apresentam desafios técnicos cirúrgicos maiores devido à proximidade com a árvore traqueobronquial, aorta e ducto torácico. A invasão dessas estruturas pode elevar o estágio para T4 (T4a ressecável, T4b irressecável). Além disso, a drenagem linfática do terço médio é bidirecional (cervical e abdominal), o que exige frequentemente linfadenectomia em dois ou três campos durante a esofagectomia.
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