HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Homem de 69 anos, natural da Bahia, tabagista 50 anos/maço vem à Unidade Básica de Saúde com queixa progressiva de dificuldade para se alimentar há 4 meses, tendo perdido 5 kg no período. Refere que, inicialmente, apresentava dificuldade apenas com carnes e com alimentos mais sólidos, mas atualmente tem dificuldade também com líquidos, associada a episódios de regurgitação noturna. Nega odinofagia, hematêmese ou histórico familiar de câncer. Diz também que tem o hábito de tomar água com as refeições para ajudar a empurrar o alimento e refere ter tido conhecidos com doença de Chagas. Ao exame físico, encontra-se emagrecido, corado, normotenso, sem outras alterações relevantes ao exame clínico. Com base nesse caso, a conduta inicial adequada é:
Disfagia progressiva + perda de peso + tabagismo → EDA imediata para excluir neoplasia.
Em pacientes idosos com disfagia progressiva e fatores de risco como tabagismo, a prioridade absoluta é excluir malignidade via EDA antes de investigar distúrbios motores.
A abordagem da disfagia exige a distinção entre disfagia orofaríngea e esofágica. No caso da esofágica, a progressão de sólidos para líquidos sugere obstrução mecânica (como anéis, estenoses ou câncer), enquanto a disfagia simultânea para ambos sugere distúrbio motor. O tabagismo e a perda de peso são 'red flags' cruciais para malignidade. A EDA é o exame inicial para avaliar a integridade da mucosa e descartar neoplasias, que podem se manifestar como pseudoacalásia em idosos.
A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha inicial porque permite a visualização direta da mucosa esofágica, identificando lesões obstrutivas, estenoses ou massas tumorais. Em pacientes com sinais de alarme, como perda de peso e idade avançada, a exclusão de neoplasia de esôfago é mandatória. Além disso, a EDA possibilita a realização de biópsias imediatas, o que não é possível na esofagografia baritada ou na manometria, tornando-a o passo diagnóstico mais eficiente e seguro no manejo inicial desses casos.
A acalásia geralmente apresenta uma evolução mais insidiosa e prolongada, muitas vezes com disfagia paradoxal (para líquidos antes ou junto com sólidos). No entanto, em pacientes idosos com perda ponderal rápida, a apresentação clínica pode mimetizar a acalásia (pseudoacalásia). O histórico de Chagas é um forte indício epidemiológico no Brasil, mas não substitui a necessidade de descartar obstrução mecânica por câncer, especialmente em tabagistas de longa data, onde o risco de carcinoma espinocelular é significativamente elevado.
A esofagomanometria, preferencialmente a de alta resolução, é o padrão-ouro para o diagnóstico de distúrbios motores do esôfago, como a acalásia. Contudo, ela deve ser realizada apenas após a exclusão de causas orgânicas/mecânicas pela EDA. Se a EDA for normal e houver suspeita de distúrbio de motilidade, a manometria confirmará a ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior e a aperistalse do corpo esofágico, classificando a acalásia segundo a Classificação de Chicago.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo