HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 62 anos de idade, nuligesta, com história prévia de obesidade (índice de massa corpórea de 33kg/m2 ) e neoplasia de mama prévia há 16 anos, tratada com mastectomia. Comparece à unidade básica de saúde com queixa de sangramento pósmenopausa. Durante a anamnese, negou uso de terapia de reposição hormonal ou tamoxifeno. Apresentou ultrassonografia transvaginal com eco endometrial de 5mm. Assinale a alternativa correta sobre o caso apresentado:
Sangramento pós-menopausa + Nuliparidade + Obesidade → Alto risco para câncer de endométrio, mesmo com eco endometrial de 5mm.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio, incluindo nuliparidade, obesidade e status pós-menopausa. O sangramento pós-menopausa, independentemente do eco endometrial (5mm já é indicativo), exige investigação para excluir malignidade, pois esses fatores aumentam significativamente o risco.
O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos e sua incidência está em ascensão, impulsionada pelo aumento da obesidade. O sangramento pós-menopausa é o sintoma mais frequente e deve ser sempre investigado, pois até 10% desses casos podem estar associados a malignidade. A paciente em questão apresenta uma combinação de fatores de risco bem estabelecidos para câncer de endométrio, como nuliparidade, obesidade (IMC > 30 kg/m²) e status pós-menopausa, que aumentam significativamente sua probabilidade de desenvolver a doença. A fisiopatologia do câncer de endométrio está frequentemente ligada à exposição estrogênica prolongada e sem oposição da progesterona. A obesidade, por exemplo, aumenta a conversão periférica de androgênios em estrogênios, elevando os níveis circulantes. A nuliparidade também é um fator de risco, pois a gravidez e o parto conferem um período de proteção endometrial. A ultrassonografia transvaginal é o primeiro exame para avaliar o endométrio, e um eco endometrial de 5mm em uma mulher com sangramento pós-menopausa é considerado anormal e requer investigação adicional, geralmente com biópsia endometrial. O manejo do sangramento pós-menopausa exige uma abordagem diagnóstica rigorosa. A biópsia endometrial é fundamental para determinar a causa do sangramento e excluir malignidade. As hiperplasias endometriais atípicas são lesões pré-malignas com alto risco de progressão para câncer, enquanto as hiperplasias típicas têm um risco muito menor. O conhecimento dos fatores de risco e a pronta investigação de qualquer sangramento pós-menopausa são essenciais para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz do câncer de endométrio, melhorando o prognóstico das pacientes.
Os principais fatores de risco incluem nuliparidade, obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, menopausa tardia, uso de terapia de reposição hormonal estrogênica sem progesterona e uso de tamoxifeno. A idade avançada e o status pós-menopausa também são relevantes.
Qualquer sangramento pós-menopausa deve ser investigado. Um eco endometrial maior que 4-5mm em mulheres sintomáticas é indicação para biópsia endometrial (histeroscopia com biópsia dirigida ou biópsia por aspiração) para excluir hiperplasia atípica ou câncer.
O tamoxifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) usado no tratamento do câncer de mama, tem um efeito estrogênico no endométrio, aumentando o risco de hiperplasia endometrial, pólipos e câncer de endométrio. Mulheres em uso de tamoxifeno com sangramento pós-menopausa sempre necessitam de investigação endometrial.
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