Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
O carcinoma de endométrio constitui a neoplasia maligna mais comum do sistema genital feminino nos países desenvolvidos; no nosso meio, ele é o segundo, mas estima-se um aumento proporcional da sua ocorrência. Sobre o câncer de endométrio, é INCORRETO afirmar:
Sangramento pós-menopausa → Investigar endométrio (Biópsia > USG).
O rastreio oncológico de rotina para câncer de endométrio não é recomendado via USG; o diagnóstico baseia-se na investigação de sintomas, principalmente o sangramento uterino anormal.
O carcinoma de endométrio é a neoplasia ginecológica mais frequente em países desenvolvidos, com incidência crescente devido ao aumento da obesidade e da longevidade. Divide-se em Tipo I (endometrioide, associado ao estrogênio, melhor prognóstico) e Tipo II (não-endometrioide, como o seroso papilar, mais agressivo). A principal manifestação clínica é o sangramento vaginal pós-menopausa. O estadiamento é cirúrgico (FIGO), envolvendo histerectomia total, salpingo-ooforectomia bilateral e, dependendo do risco, avaliação linfonodal. O reconhecimento precoce dos sintomas e a compreensão dos fatores de risco hormonais são cruciais para o manejo adequado.
Diferente do câncer de colo de útero (Papanicolau), o câncer de endométrio não possui um teste de rastreio eficaz para a população geral assintomática. A ultrassonografia transvaginal pode medir a espessura endometrial, mas apresenta muitos resultados falso-positivos em mulheres assintomáticas, levando a biópsias desnecessárias. O diagnóstico precoce é geralmente alcançado pela investigação imediata de sintomas clínicos, como o sangramento uterino anormal na pós-menopausa, que ocorre em cerca de 90% das pacientes com a doença.
O câncer de endométrio Tipo I (endometrioide) está fortemente ligado à exposição prolongada ao estrogênio sem a oposição da progesterona. Fatores como obesidade (conversão periférica de androgênios em estrona), nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia e uso de tamoxifeno aumentam o risco. O estrogênio estimula a proliferação endometrial, podendo levar à hiperplasia e, eventualmente, ao carcinoma. Já o Tipo II (seroso e de células claras) é independente de estrogênio e geralmente mais agressivo.
O padrão-ouro para o diagnóstico é a avaliação histopatológica do tecido endometrial. Isso pode ser obtido através de biópsia de endométrio (Pipelle) em consultório, que tem alta sensibilidade. Se a biópsia for inconclusiva ou impossível de realizar, a histeroscopia com biópsia dirigida ou a curetagem uterina fracionada são indicadas. A histeroscopia é particularmente útil por permitir a visualização direta da cavidade uterina e a identificação de lesões focais que poderiam ser perdidas em procedimentos cegos.
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