TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Não é um fator de risco para câncer de endométrio:
Obesidade e estrogênio ↑ risco; Tabagismo ↓ risco (efeito antiestrogênico) no endométrio.
O câncer de endométrio está ligado ao estímulo estrogênico crônico; o baixo peso não é fator de risco, enquanto a obesidade é um dos principais devido à conversão periférica de androgênios.
O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, fortemente associada ao estilo de vida ocidental. A fisiopatologia principal envolve a exposição prolongada ao estrogênio sem a oposição da progesterona, o que leva à mitogênese endometrial. Fatores como nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia, SOP e diabetes mellitus também estão no espectro de risco. É fundamental diferenciar os tipos histológicos: o Tipo I (endometrioide) está ligado ao hiperestrogenismo e tem melhor prognóstico, enquanto o Tipo II (seroso ou de células claras) é independente de hormônios, ocorre em mulheres mais velhas e magras, e possui comportamento biológico muito mais agressivo.
O tabagismo exerce um efeito antiestrogênico sistêmico. Ele induz o metabolismo hepático dos estrogênios, reduzindo seus níveis séricos, e também pode antecipar a menopausa. Como a maioria dos cânceres de endométrio (Tipo I) é dependente do estímulo estrogênico sem oposição da progesterona, as fumantes apresentam, paradoxalmente, um risco reduzido para esta neoplasia específica. No entanto, o tabagismo continua sendo um fator de risco maior para câncer de colo de útero e diversas outras patologias.
A obesidade é um fator de risco crítico devido à conversão periférica de androstenediona em estrona pelo tecido adiposo (via enzima aromatase). Em mulheres na pós-menopausa, essa é a principal fonte de estrogênio. Sem a contraposição da progesterona (que não é mais produzida ciclicamente pelos ovários), o endométrio sofre proliferação contínua, aumentando o risco de hiperplasia e progressão para adenocarcinoma.
O tamoxifeno é um Modulador Seletivo do Receptor de Estrogênio (SERM). Embora tenha efeito antagonista no tecido mamário (sendo usado no tratamento do câncer de mama), ele possui efeito agonista parcial no endométrio. Isso significa que ele estimula a proliferação endometrial, podendo levar ao surgimento de pólipos, hiperplasias e, em casos de uso prolongado e altas doses cumulativas, aumenta significativamente o risco de câncer de endométrio.
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