Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2022
Em mulher de 60 anos, com obesidade grau III, menarca aos 14 anos e menopausa aos 46 anos, com diagnóstico de câncer de endométrio, a mais provável etiologia do câncer é:
Câncer de endométrio tipo I: associado a hiperestrogenismo prolongado (obesidade, anovulação crônica, menopausa tardia).
A obesidade, especialmente na pós-menopausa, é um fator de risco significativo para câncer de endométrio devido à aromatização periférica de androgênios em estrogênios no tecido adiposo, levando a um estado de hiperestrogenismo crônico sem oposição da progesterona.
O câncer de endométrio é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos, e sua incidência está fortemente ligada a fatores hormonais, especialmente o hiperestrogenismo. A maioria dos casos (Tipo I) é estrogênio-dependente e se desenvolve a partir de hiperplasia endometrial atípica, sendo mais comum em mulheres pós-menopausa. Neste caso, a paciente apresenta obesidade grau III, um fator de risco proeminente para câncer de endométrio. Na pós-menopausa, os ovários deixam de produzir estrogênio em quantidades significativas. No entanto, em mulheres obesas, o tecido adiposo atua como um local extragonadal para a conversão de androgênios (produzidos pelas glândulas adrenais) em estrogênios, principalmente estrona, através da enzima aromatase. Essa produção persistente de estrogênio periférico, sem a oposição da progesterona (que não é mais produzida pelos ovários), leva a uma estimulação crônica e desregulada do endométrio. Essa estimulação estrogênica prolongada e não balanceada promove a proliferação endometrial, aumentando o risco de hiperplasia e, subsequentemente, de carcinoma. Outros fatores de risco incluem menarca precoce e menopausa tardia, que prolongam o tempo de exposição ao estrogênio endógeno. O manejo envolve a identificação dos fatores de risco e, em casos de diagnóstico, o tratamento cirúrgico, muitas vezes complementado por radioterapia ou quimioterapia.
Em mulheres obesas pós-menopausa, a principal via de produção de estrogênio é a aromatização periférica de androgênios (produzidos pelas adrenais) em estrona no tecido adiposo.
O estrogênio estimula a proliferação do endométrio. Sem a oposição da progesterona, que induz a diferenciação e inibe a proliferação, há um risco aumentado de hiperplasia endometrial e, consequentemente, de transformação maligna.
Além da obesidade, outros fatores incluem diabetes mellitus, hipertensão arterial, síndrome dos ovários policísticos (anovulação crônica), menarca precoce, menopausa tardia e terapia de reposição hormonal com estrogênio sem progesterona.
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