UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Mulher de 72 anos apresenta sangramento vaginal há 6 meses. AP: G2P2A0C0, DUM aos 49 anos. AF: irmã falecida de neoplasia ovariana aos 68 anos. Exame físico: IMC 27 kg/m2. Exame ginecológico: colo atrófico, ausência de sangramento ativo com presença de discreto sangramento residual em fundo vaginal, útero intrapélvico, mobilidade preservada, palpada massa cística de difícil delimitação em fundo de saco lateral esquerdo. US transvaginal: útero com volume de 86 cm3; espessura endometrial 7 mm; massa cística anecoica com maior diâmetro de 6 cm, sem septos ou vegetações e sem fluxo ao Doppler em ovário esquerdo; ovário direito de aspecto atrófico. TC abdome e pelve: extensa linfadenopatia pélvica bilateral e em cadeia paraórtica próximo à bifurcação das ilíacas. O diagnóstico provável é câncer de
Sangramento pós-menopausa + espessamento endometrial (>4-5mm) + linfadenopatia = alto risco para câncer de endométrio.
O sangramento pós-menopausa é o principal sintoma do câncer de endométrio. Uma espessura endometrial de 7mm em uma mulher pós-menopausa é altamente suspeita e, na presença de linfadenopatia, sugere doença avançada, frequentemente associada a subtipos mais agressivos (Tipo II).
O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, afetando principalmente mulheres pós-menopausa. O principal fator de risco é a exposição prolongada e desbalanceada a estrogênios, seja endógena (obesidade, anovulação crônica, menopausa tardia) ou exógena (terapia de reposição hormonal sem progesterona). O sintoma cardinal é o sangramento vaginal pós-menopausa, que deve sempre ser investigado. O diagnóstico inicial envolve ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial. Em mulheres pós-menopausa, uma espessura >4-5 mm é suspeita e indica a necessidade de biópsia endometrial (histeroscopia com biópsia ou curetagem). A presença de linfadenopatia, como descrito no caso, sugere doença avançada e é mais comum em tumores de alto grau ou subtipos mais agressivos, como o câncer de endométrio tipo II (carcinoma seroso papilífero ou de células claras), que não são estrogênio-dependentes e têm pior prognóstico. Para o residente, é crucial reconhecer a importância do sangramento pós-menopausa como sinal de alerta. A investigação adequada, incluindo a avaliação da espessura endometrial e, se necessário, biópsia, é fundamental para o diagnóstico precoce e o manejo apropriado. A presença de linfadenopatia à TC indica estadiamento avançado e a necessidade de uma abordagem terapêutica mais agressiva, que pode incluir cirurgia radical, quimioterapia e radioterapia.
O sangramento vaginal após a menopausa é o sintoma mais comum do câncer de endométrio e deve ser sempre investigado, pois pode indicar uma neoplasia maligna.
Em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal, uma espessura endometrial de até 4-5 mm é geralmente considerada normal. Valores acima disso são suspeitos e requerem investigação.
Existem dois tipos principais: Tipo I (adenocarcinoma endometrioide), associado a estrogênio e melhor prognóstico; e Tipo II (seroso, células claras), mais agressivo, não associado a estrogênio e pior prognóstico.
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