Câncer de Endométrio G1: Quando Evitar Linfadenectomia?

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 72 anos de idade, encontra-se em cirurgia para câncer de endométrio e a avaliação intraoperatória do produto de histerectomia total e salpingooforectomia bilateral mostrou ser um carcinoma endometrial, do tipo endometróide grau 1, superficialmente invasor, estroma do colo livre. Neste caso, qual (is) procedimento (s) cirúrgicos ainda falta (m) ser realizado (s):

Alternativas

  1. A) Linfadenectomia pélvica bilateral.
  2. B) Nenhum outro procedimento é necessário.
  3. C) Linfadenectomia pélvica bilateral e para-aórtica.
  4. D) Linfadenectomia pélvica bilateral e para-aórtica, omentectomia infra-cólica.

Pérola Clínica

Câncer endométrio baixo risco (endometrióide G1, invasão superficial) → Linfadenectomia NÃO é rotina.

Resumo-Chave

Em casos de carcinoma endometrial tipo endometrióide grau 1, com invasão miometrial superficial e estroma do colo livre, a linfadenectomia pélvica e para-aórtica não é indicada rotineiramente, pois o risco de metástase linfonodal é muito baixo. A cirurgia de histerectomia total e salpingooforectomia bilateral é suficiente para o estadiamento e tratamento inicial.

Contexto Educacional

O câncer de endométrio é o tumor ginecológico mais comum em países desenvolvidos, afetando principalmente mulheres pós-menopausa. O estadiamento é cirúrgico e a conduta depende de fatores histopatológicos, como tipo histológico, grau de diferenciação e profundidade de invasão miometrial. A identificação de grupos de baixo, intermediário e alto risco é fundamental para guiar a extensão da cirurgia e a necessidade de terapias adjuvantes. O carcinoma endometrióide grau 1 com invasão miometrial superficial e estroma do colo livre é classificado como de baixo risco para metástase linfonodal. Nesses casos, a histerectomia total e salpingooforectomia bilateral são suficientes para o tratamento e estadiamento, sem a necessidade de linfadenectomia pélvica ou para-aórtica, que aumentaria a morbidade sem benefício oncológico adicional. A avaliação intraoperatória é crucial para essa decisão. A decisão de realizar ou não a linfadenectomia deve ser individualizada, baseada nos achados histopatológicos intraoperatórios e nos critérios de risco. A omentectomia é reservada para casos de alto risco ou suspeita de doença extrauterina. O conhecimento desses critérios é essencial para o residente de ginecologia e oncologia, garantindo um tratamento adequado e minimizando complicações desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o câncer de endométrio de baixo risco?

O câncer de endométrio é considerado de baixo risco quando é do tipo endometrióide, grau 1 ou 2, com invasão miometrial menor que 50% e sem invasão do estroma cervical ou metástases.

Por que a linfadenectomia não é indicada em casos de baixo risco de câncer de endométrio?

A linfadenectomia não é indicada em casos de baixo risco devido à baixa probabilidade de metástases linfonodais e para evitar as morbidades associadas ao procedimento, como linfedema e lesão nervosa.

Qual o papel da avaliação intraoperatória no câncer de endométrio?

A avaliação intraoperatória, geralmente por congelação, é crucial para determinar o tipo histológico, grau e profundidade de invasão miometrial, guiando a extensão da cirurgia (ex: necessidade de linfadenectomia).

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