UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente de 62 anos, diabética e obesa, com queixa de sangramento uterino anormal, procura o ambulatório de ginecologia, referindo ser nuligesta e estar menopausada desde os 58 anos. Devido a calores e insônia, há três anos, iniciou o uso isolado de valerato de estradiol 8mg por dia, que melhorou seus sintomas. A paciente relata utilizar metformina 500mg uma vez ao dia e estar sem acompanhamento de rotina ginecológica e de suas doenças de base há dois anos. Com base no caso clínico descrito: Identifique três fatores de risco para câncer de endométrio.
Obesidade + DM + Estrogênio sem oposição = Tríade clássica para Câncer de Endométrio.
O câncer de endométrio tipo I é estrogênio-dependente. Fatores que aumentam a exposição estrogênica sem oposição da progesterona elevam o risco.
O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, fortemente associada ao estilo de vida. O tipo I (endometrioide) está ligado ao hiperestrogenismo relativo. Pacientes com síndrome metabólica (obesidade, DM, HAS) apresentam risco aumentado devido à resistência insulínica e inflamação crônica. O uso de estrogênio isolado em mulheres com útero é contraindicado, pois a falta de oposição progestacional leva à hiperplasia endometrial e eventual transformação maligna. A nuliparidade também contribui por aumentar a exposição hormonal ao longo da vida sem as pausas protetoras da gestação e lactação.
A paciente apresenta obesidade, diabetes mellitus, nuliparidade e uso de estrogênio isolado (sem oposição de progesterona) em vigência de útero presente, todos fortes indutores de risco.
O tecido adiposo contém a enzima aromatase, que converte precursores adrenais em estrona. Na pós-menopausa, esse estrogênio contínuo sem progesterona causa proliferação endometrial.
A conduta padrão é a avaliação endometrial, geralmente via ultrassonografia transvaginal (espessura > 4-5mm exige biópsia) ou biópsia direta via Pipelle ou histeroscopia.
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