Câncer de Coto Gástrico Pós-Gastrectomia Billroth II

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 64 anos de idade, com antecedente cirúrgico de gastrectomia parcial com reconstrução tipo Billroth II há cerca de 30 anos devido a úlcera gástrica, procurou atendimento ambulatorial com queixa de episódios de dor em região epigástrica há 12 meses. Refere que nos últimos 5 meses evoluiu com dificuldade de aceitação da dieta, inicialmente para alimentos sólidos, e no momento apresenta também disfagia para líquidos, com perda ponderal de 12kg. Paciente não possui outros antecedentes pessoais e relata não ter realizado qualquer exame nos últimos anos. Qual é a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) O primeiro exame a ser solicitado deve ser de radiografia contrastado (EED, uma vez que uma das hipóteses é de megaesôfago.
  2. B) A gastrite alcalina é uma das principais hipóteses diagnósticas e deve ser instituído tratamento clínico com antiácidos locais.
  3. C) A principal hipótese diagnóstica é de neoplasia maligna no coto gástrico. Deve ser solicitada endoscopia digestiva alta com biópsia.
  4. D) Fazer teste terapêutico com inibidor de bomba de próton por 6 a 8 semanas. Se não houver melhora, solicitar endoscopia digestiva alta para complementar a avaliação diagnóstica.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + perda ponderal após gastrectomia Billroth II → alta suspeita de câncer de coto gástrico.

Resumo-Chave

Pacientes submetidos a gastrectomia parcial, especialmente com reconstrução Billroth II, têm um risco aumentado de desenvolver câncer no coto gástrico décadas após a cirurgia. Sintomas como disfagia progressiva e perda ponderal são alarmantes e exigem investigação imediata com endoscopia e biópsia.

Contexto Educacional

Pacientes com história de gastrectomia parcial, especialmente com reconstrução tipo Billroth II, apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer no coto gástrico, geralmente décadas após a cirurgia inicial. Este risco é atribuído a alterações fisiológicas no coto gástrico, como o refluxo crônico de bile e suco pancreático, que induzem gastrite crônica, metaplasia intestinal e displasia, precursores do adenocarcinoma. O caso clínico apresenta um paciente com antecedentes de gastrectomia Billroth II há 30 anos, que desenvolve dor epigástrica, disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos) e perda ponderal expressiva. Este quadro é altamente sugestivo de uma neoplasia maligna no coto gástrico, que pode estar obstruindo o trânsito alimentar. A disfagia progressiva, em particular, é um sintoma de alarme que indica obstrução luminal significativa. Diante dessa suspeita, a conduta mais apropriada e urgente é a realização de uma endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia. A EDA permite a visualização direta do coto gástrico e da anastomose, identificando lesões suspeitas e possibilitando a coleta de material para análise histopatológica, que confirmará ou excluirá a presença de malignidade. Outros exames como radiografia contrastada ou testes terapêuticos com IBP seriam inadequados como primeira abordagem diante de um quadro tão alarmante.

Perguntas Frequentes

Por que a gastrectomia Billroth II aumenta o risco de câncer de coto gástrico?

A reconstrução Billroth II promove o refluxo biliar e pancreático para o coto gástrico, levando a gastrite crônica, metaplasia intestinal e displasia, que são fatores de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma ao longo do tempo.

Quais são os sinais de alerta para câncer de coto gástrico?

Sinais de alerta incluem disfagia progressiva, perda ponderal inexplicável, dor epigástrica persistente, anemia, vômitos e sangramento gastrointestinal. A presença desses sintomas em pacientes com histórico de gastrectomia exige investigação imediata.

Qual o papel da endoscopia digestiva alta no diagnóstico do câncer de coto gástrico?

A endoscopia digestiva alta com biópsia é o método diagnóstico padrão-ouro, permitindo a visualização direta da lesão no coto gástrico e na anastomose, a coleta de amostras para histopatologia e a avaliação da extensão da doença.

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