Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Homem, 64 anos de idade, com antecedente cirúrgico de gastrectomia parcial com reconstrução tipo Billroth II há cerca de 30 anos devido a úlcera gástrica, procurou atendimento ambulatorial com queixa de episódios de dor em região epigástrica há 12 meses. Refere que nos últimos 5 meses evoluiu com dificuldade de aceitação da dieta, inicialmente para alimentos sólidos, e no momento apresenta também disfagia para líquidos, com perda ponderal de 12kg. Paciente não possui outros antecedentes pessoais e relata não ter realizado qualquer exame nos últimos anos. Qual é a alternativa correta?
Disfagia progressiva + perda ponderal após gastrectomia Billroth II → alta suspeita de câncer de coto gástrico.
Pacientes submetidos a gastrectomia parcial, especialmente com reconstrução Billroth II, têm um risco aumentado de desenvolver câncer no coto gástrico décadas após a cirurgia. Sintomas como disfagia progressiva e perda ponderal são alarmantes e exigem investigação imediata com endoscopia e biópsia.
Pacientes com história de gastrectomia parcial, especialmente com reconstrução tipo Billroth II, apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer no coto gástrico, geralmente décadas após a cirurgia inicial. Este risco é atribuído a alterações fisiológicas no coto gástrico, como o refluxo crônico de bile e suco pancreático, que induzem gastrite crônica, metaplasia intestinal e displasia, precursores do adenocarcinoma. O caso clínico apresenta um paciente com antecedentes de gastrectomia Billroth II há 30 anos, que desenvolve dor epigástrica, disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos) e perda ponderal expressiva. Este quadro é altamente sugestivo de uma neoplasia maligna no coto gástrico, que pode estar obstruindo o trânsito alimentar. A disfagia progressiva, em particular, é um sintoma de alarme que indica obstrução luminal significativa. Diante dessa suspeita, a conduta mais apropriada e urgente é a realização de uma endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia. A EDA permite a visualização direta do coto gástrico e da anastomose, identificando lesões suspeitas e possibilitando a coleta de material para análise histopatológica, que confirmará ou excluirá a presença de malignidade. Outros exames como radiografia contrastada ou testes terapêuticos com IBP seriam inadequados como primeira abordagem diante de um quadro tão alarmante.
A reconstrução Billroth II promove o refluxo biliar e pancreático para o coto gástrico, levando a gastrite crônica, metaplasia intestinal e displasia, que são fatores de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma ao longo do tempo.
Sinais de alerta incluem disfagia progressiva, perda ponderal inexplicável, dor epigástrica persistente, anemia, vômitos e sangramento gastrointestinal. A presença desses sintomas em pacientes com histórico de gastrectomia exige investigação imediata.
A endoscopia digestiva alta com biópsia é o método diagnóstico padrão-ouro, permitindo a visualização direta da lesão no coto gástrico e na anastomose, a coleta de amostras para histopatologia e a avaliação da extensão da doença.
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