HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Paciente feminina de 62 anos com história de enterorragia e perda ponderal de 8 kg vai ao pronto-socorro com fadiga, dores no ânus e hipogástrio há aproximadamente 2 meses. Exame físicio: descorada, desidratada,anictéria e acianótica e eupneica. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome: flácido, ruídos hidroaéreos presentes, timpânico à percussão e doloroso à palpação difusa. Massa palpável em quadrante inferior esquerdo. Descompressão brusca negativo. Toque Retal: fezes líquidas em dedo de luva, esfíncter hipertônico, sem outras alterações. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 8,3 g/dL, Leucócitos 9.320/mm³, Creatina: 0,71 mg/dL, Albumina:2,1 g/dL. Foi submetida a tomografia com imagens abaixo: O exame evidenciou extensa lesão no sigmoide com ampla superfície de contato com útero, com sinais de invasão locorregional. Foi realizada colonoscopia cujo resultado mostrou: lesão vegetante ulcerada, com superfície friável, irregular e grande quantidade de muco e fibrina aderida, prejudicando a distensibilidade das paredes da alça neste segmento. A lesão acomete cerca de 70% da circunferência da estrutura, provocando estenose intransponível ao aparelho. O diagnóstico anatomopatológico mostrou uma lesão vilotubular com displasia intraepitelial de alto grau. Melhor conduta nesse caso, dentre as abaixo:
Câncer colorretal obstrutivo com invasão locorregional → Hartmann + histerectomia subtotal para desobstrução e ressecção radical.
A paciente apresenta um câncer de sigmoide obstrutivo com invasão uterina e anemia significativa. A estenose intransponível exige desobstrução imediata, e a cirurgia de Hartmann é a melhor opção para ressecção em contexto de obstrução, evitando anastomose primária de alto risco. A histerectomia subtotal é necessária para a ressecção oncológica completa da invasão locorregional.
O câncer colorretal é uma neoplasia comum, e sua apresentação pode variar desde achados assintomáticos até quadros de emergência, como obstrução intestinal ou sangramento maciço. A paciente em questão apresenta um cenário complexo de câncer de sigmoide com estenose intransponível, invasão locorregional do útero e anemia grave por enterorragia, exigindo uma abordagem cirúrgica imediata e radical. A estenose intransponível e a obstrução intestinal são indicações para cirurgia de emergência. Em um cólon obstruído, a anastomose primária é de alto risco devido à dilatação, edema e contaminação. Nesses casos, a cirurgia de Hartmann (ressecção do segmento afetado, colostomia terminal e fechamento do coto retal) é a opção mais segura para desobstrução e controle da doença. A invasão locorregional do útero exige a ressecção em bloco, justificando a histerectomia subtotal para garantir margens oncológicas adequadas. O diagnóstico anatomopatológico de lesão vilotubular com displasia de alto grau, embora pré-maligno, no contexto de uma massa obstrutiva e invasiva, sugere fortemente a presença de adenocarcinoma. O manejo deve ser guiado pelos princípios oncológicos de ressecção completa, considerando o estadiamento e a necessidade de terapias adjuvantes ou neoadjuvantes, embora neste caso a obstrução e a invasão exijam intervenção cirúrgica primária.
Os principais sinais e sintomas de um câncer colorretal obstrutivo incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas e vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação progressiva), e, em casos avançados, enterorragia e perda ponderal significativa, como visto na paciente.
A cirurgia de Hartmann é preferível em casos de obstrução colorretal porque o cólon proximal está dilatado e edemaciado, com risco aumentado de deiscência de anastomose. A Hartmann permite a ressecção do segmento doente, desobstrução e criação de uma colostomia terminal, com fechamento do coto retal, minimizando o risco de complicações infecciosas e de fístulas.
A histerectomia é indicada no tratamento do câncer colorretal quando há evidência de invasão locorregional do tumor no útero ou em estruturas pélvicas adjacentes. A ressecção em bloco do tumor primário e dos órgãos invadidos é crucial para alcançar margens cirúrgicas livres e otimizar o controle oncológico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo