Câncer Colorretal: Diagnóstico e Indicação de Colonoscopia

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Paciente 52 anos, sexo feminino, chega ao médico com queixa de perda ponderal, astenia e modificação de hábito intestinal. Relata que era constipada e que antes evacuava 1 vez a cada dois dias. No último mês, alternou semanas de diarreia com 3 a 4 evacuações diárias, com semanas de evacuações a cada 4 dias e tenesmo. O exame adequado para investigar o caso e a justificativa para sua prescrição são

Alternativas

  1. A) pesquisa de sangue oculto nas fezes, por ser o exame de triagem mais efetivo na identificação do paciente que deve ir para uma colonoscopia ou não.
  2. B) colonoscopia, por ser o exame padrão ouro no estudo do reto e intestino grosso, local provável do suposto problema da paciente em questão.
  3. C) retossigmoidoscopia, visto 60% das neoplasias colorretais acometerem o retossigmoide.
  4. D) colonoscopia devido à idade > 50 anos e pela elevada suspeita de doença inflamatória intestinal.
  5. E) pesquisa de sangue oculto nas fezes por imunofenotipagem, por se tratar do exame atual mais sensível na identificação dos tumores colorretais.

Pérola Clínica

Alteração de hábito intestinal + perda ponderal + tenesmo em >50 anos → alta suspeita de câncer colorretal, indicar colonoscopia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de alarme para neoplasia colorretal, como idade >50 anos, alteração do hábito intestinal (especialmente alternância entre diarreia e constipação), perda ponderal e tenesmo. A colonoscopia é o exame padrão ouro para investigar o cólon e o reto, permitindo a visualização direta, biópsia e remoção de lesões.

Contexto Educacional

O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais comuns e uma das principais causas de morte por câncer globalmente. Sua incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente após os 50 anos. Fatores de risco incluem histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e síndromes genéticas. A apresentação clínica pode variar, mas sintomas como alteração do hábito intestinal, perda ponderal, astenia e tenesmo são sinais de alarme que exigem investigação imediata. A fisiopatologia do CCR geralmente envolve a progressão de pólipos adenomatosos para carcinoma, um processo que pode levar anos. O diagnóstico precoce é crucial para um melhor prognóstico. A colonoscopia é considerada o padrão ouro para o diagnóstico, pois permite a visualização direta da mucosa colorretal, a identificação de lesões suspeitas e a coleta de biópsias para análise histopatológica, além da remoção de pólipos pré-malignos. O manejo do CCR depende do estágio da doença, mas geralmente envolve cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia. A detecção precoce através de programas de rastreamento em indivíduos assintomáticos e a pronta investigação de sintomas de alarme em pacientes sintomáticos são fundamentais para reduzir a mortalidade. A educação sobre os sinais de alerta é vital para pacientes e profissionais de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme para câncer colorretal?

Sinais de alarme incluem alteração persistente do hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância), sangramento retal, perda de peso inexplicada, anemia ferropriva e dor abdominal persistente.

Por que a colonoscopia é o exame de escolha para investigar suspeita de câncer colorretal?

A colonoscopia permite a visualização direta de todo o cólon e reto, a identificação de lesões (pólipos, tumores), a realização de biópsias para confirmação histopatológica e, em alguns casos, a remoção terapêutica de pólipos.

Qual a diferença entre rastreamento e diagnóstico de câncer colorretal?

O rastreamento é feito em indivíduos assintomáticos para detectar lesões pré-malignas ou câncer em estágio inicial (ex: pesquisa de sangue oculto, colonoscopia a partir dos 45-50 anos). O diagnóstico é realizado em pacientes com sintomas de alarme para investigar a causa.

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