UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Homem de 50 anos relata cólicas abdominais há 3 meses, com piora progressiva da frequência e intensidade, acompanhadas de alternância de hábito intestinal. Nega exteriorização de sangramentos, perda de peso ou outras queixas. AP: tabagismo. Ao exame físico: altura 1,72 m, peso 110 kg; PA 140 x 80 mmHg, FC 88 bpm. Exames: Hb 10,5 g/dL; VCM 77 fL. A hipótese diagnóstica e a conduta são, correta e respectivamente:
Homem >50a, tabagista/obeso, anemia microcítica, alteração hábito intestinal → alta suspeita de câncer colorretal; indicar colonoscopia.
A presença de anemia microcítica em um homem de 50 anos, com fatores de risco como tabagismo e obesidade, e sintomas como cólicas abdominais e alteração do hábito intestinal, é um forte indicativo de câncer colorretal. A colonoscopia é o exame padrão-ouro para diagnóstico e biópsia, sendo a conduta mais apropriada neste cenário.
O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais comuns e uma das principais causas de morte por câncer globalmente. Sua importância clínica reside na alta prevalência e na possibilidade de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. A epidemiologia mostra que a incidência aumenta com a idade, sendo mais comum após os 50 anos, e está associada a fatores de risco como tabagismo, obesidade, dieta rica em carne vermelha e processada, sedentarismo, histórico familiar e doenças inflamatórias intestinais. O rastreamento populacional é fundamental para a detecção precoce de lesões pré-malignas (pólipos) e tumores em estágio inicial. A fisiopatologia do CCR geralmente envolve uma sequência adenoma-carcinoma, onde pólipos adenomatosos benignos progridem para malignidade ao longo de anos. Os sintomas são inespecíficos e dependem da localização do tumor. Tumores do cólon direito podem causar anemia por sangramento oculto, enquanto os do cólon esquerdo e reto tendem a causar alteração do hábito intestinal, sangramento visível e dor. O diagnóstico é suspeitado com base nos sintomas e fatores de risco. A anemia microcítica é um sinal de alarme crucial para sangramento gastrointestinal crônico. Deve-se suspeitar de CCR em qualquer paciente com mais de 50 anos apresentando alteração do hábito intestinal, sangramento retal, anemia inexplicável ou perda de peso. A conduta diagnóstica padrão-ouro é a colonoscopia, que permite a visualização direta da mucosa, a biópsia de lesões suspeitas e a remoção de pólipos. Após o diagnóstico, o estadiamento é realizado com exames de imagem (TC de tórax e abdome, ressonância magnética pélvica para tumores retais). O tratamento envolve cirurgia (colectomia), quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, dependendo do estágio da doença. O prognóstico é significativamente melhor em estágios iniciais. Pontos de atenção incluem a importância do rastreamento em indivíduos assintomáticos a partir dos 45-50 anos e a investigação agressiva de qualquer sinal de alarme em pacientes de risco.
Os principais sinais de alarme para câncer colorretal incluem alteração persistente do hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância), sangramento retal ou nas fezes, anemia por deficiência de ferro (microcítica), perda de peso inexplicável, dor abdominal persistente e sensação de evacuação incompleta.
A anemia microcítica (VCM 77 fL) em um adulto é um forte indicativo de perda crônica de sangue, mesmo que não haja exteriorização visível. No contexto de sintomas gastrointestinais e idade de risco, sugere sangramento oculto no trato gastrointestinal, sendo um sinal de alarme para câncer colorretal.
A colonoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico do câncer colorretal. Permite a visualização direta de toda a mucosa do cólon e reto, a identificação de lesões (pólipos, tumores) e a realização de biópsias para confirmação histopatológica, além da remoção de pólipos pré-malignos.
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