Câncer de Reto com Metástase Hepática: Abordagem Terapêutica

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 67 anos, hipertensa e diabética, fez colonoscopia que evidenciou lesão neoplásica em reto alto. A tomografia de estadiamento evidencia as alterações na imagem abaixo: Sobre o planejamento terapêutico dessa paciente é CORRETO afirmar que

Alternativas

  1. A) essa paciente não possui proposta curativa, sendo indicado apenas controle sintomático.
  2. B) em situações como esta, está indicada a cirurgia combinada (fígado + reto), pois apresenta consistentemente melhores resultados que múltiplas cirurgias.
  3. C) independente da possibilidade de realizar a cirurgia hepática é necessário abordar o tumor primário inicialmente.
  4. D) é necessário avaliação multidisciplinar para definir melhor abordagem. Este paciente pode se beneficiar de radiofrequência, cirurgias intervaladas, embolização hepática, quimioterapia e radioterapia, dentre outras estratégias terapêuticas.
  5. E) havendo um remanescente hepático de 15% do volume do órgão é possível classificar a hepatectomia como factível e segura.

Pérola Clínica

Câncer colorretal com metástases hepáticas sincrônicas → Abordagem multidisciplinar é mandatória para definir a melhor estratégia terapêutica.

Resumo-Chave

O tratamento do câncer colorretal com metástases hepáticas é complexo e individualizado. A decisão entre cirurgia combinada, cirurgias intervaladas, quimioterapia neoadjuvante ou outras terapias locais depende da avaliação de uma equipe multidisciplinar para otimizar os desfechos.

Contexto Educacional

O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais comuns em todo o mundo, e o fígado é o principal sítio de metástases a distância. Cerca de 15-25% dos pacientes apresentam metástases hepáticas sincrônicas no momento do diagnóstico. A presença de doença metastática classifica o tumor como estádio IV, mas, diferentemente de muitas outras neoplasias, o tratamento pode ter intenção curativa em casos selecionados. A avaliação de um paciente com CCR e metástases hepáticas é complexa e exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgiões (colorretal e hepatobiliar), oncologistas clínicos, radiologistas e patologistas. O estadiamento preciso com tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve, e ressonância magnética de fígado ou PET-CT, é fundamental para definir a extensão da doença e a possibilidade de ressecção completa tanto do tumor primário quanto das metástases. As estratégias terapêuticas são altamente individualizadas. As opções incluem cirurgias combinadas (ressecção do primário e das metástases no mesmo tempo), cirurgias estagiadas (em dois tempos), ou abordagens invertidas como a 'liver-first'. A quimioterapia neoadjuvante pode ser usada para 'downstaging' de lesões inicialmente irressecáveis. Terapias locorregionais, como ablação por radiofrequência ou embolização, também podem ser empregadas. A decisão final depende da carga tumoral, da localização das lesões, da performance clínica do paciente e da experiência da equipe.

Perguntas Frequentes

Quais fatores determinam a ressecabilidade das metástases hepáticas de câncer colorretal?

A ressecabilidade depende do número, tamanho e localização das metástases, da possibilidade de obter margens cirúrgicas livres (R0) e, crucialmente, de manter um volume de fígado remanescente funcional e adequado (geralmente >20-30% em fígados sadios).

Qual o papel da quimioterapia no tratamento do câncer de reto com metástases hepáticas sincrônicas?

A quimioterapia pode ser usada no cenário neoadjuvante para reduzir o tamanho do tumor primário e das metástases (downstaging), tornando-os ressecáveis, ou no cenário adjuvante após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência.

O que é a abordagem 'liver-first' no câncer colorretal metastático?

É uma estratégia cirúrgica na qual as metástases hepáticas são ressecadas antes do tumor colorretal primário. É considerada em pacientes com doença hepática volumosa e um tumor primário assintomático, visando controlar a doença metastática que representa maior risco.

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