Suspeita de Câncer Colorretal: Quando Indicar Colonoscopia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um paciente com 55 anos de idade vem à Unidade Básica de Saúde com queixa de alteração do hábito intestinal. Notou afilamento das fezes há cerca de quatro meses. Refere que vem emagrecendo há cerca de seis meses. É tabagista (carga tabágica de 30 maços/ano) e hipertenso leve. Nega etilismo, diabetes ou outras doenças associadas. Relata cirurgia para retirada da vesícula biliar há cerca de 20 anos. Ao exame físico apresenta-se corado, hidratado, eupneico, acianótico e anictérico. Auscultas cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome sem alterações, exceto pela cicatriz subcostal de cirurgia prévia. Exame proctológico sem alterações. Qual a conduta correta a ser seguida?

Alternativas

  1. A) Receitar acréscimo de fibras na dieta e líquidos (2.500 mL/dia) e retorno após um mês para verificar se o quadro está normalizado.
  2. B) Receitar acréscimo de fibras na dieta e líquidos (2.500 mL/dia) e solicitar um ultrassom, uma vez que o exame proctológico foi negativo.
  3. C) O tratamento não é dietético; solicitar diretamente uma colonoscopia, pois o paciente apresenta suspeita diagnóstica que justifica a realização do exame.
  4. D) O tratamento não é dietético; solicitar uma tomografia por ser exame menos invasivo que a colonoscopia e pelo afilamento das fezes, que pode ser indicativo de estenose.

Pérola Clínica

Mudança de hábito intestinal + Afilamento de fezes + Perda de peso = Colonoscopia imediata.

Resumo-Chave

Pacientes acima de 45-50 anos com sinais de alarme (emagrecimento, afilamento de fezes) devem ser investigados para neoplasia colorretal via colonoscopia, independentemente de exames físicos normais.

Contexto Educacional

O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais prevalentes e letais, mas altamente prevenível através do rastreamento. A transição de pólipo adenomatoso para carcinoma leva anos, permitindo a intervenção precoce. Diante de um paciente com 55 anos apresentando sintomas obstrutivos (afilamento) e constitucionais (perda de peso), a suspeita clínica de CCR é mandatória. A conduta correta ignora tratamentos sintomáticos iniciais em favor da colonoscopia diagnóstica, que é o único exame capaz de realizar o diagnóstico definitivo e o rastreio simultâneo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme para câncer colorretal?

Os sinais de alarme que exigem investigação imediata incluem alteração persistente do hábito intestinal (diarreia ou constipação nova), hematoquezia ou melena, anemia ferropriva de causa indeterminada, dor abdominal persistente, perda de peso não intencional e afilamento das fezes (sugerindo lesão estenosante em cólon esquerdo ou reto). Em pacientes acima de 45-50 anos, esses sintomas possuem alto valor preditivo positivo para neoplasias.

Por que a colonoscopia é preferível à tomografia no diagnóstico inicial?

A colonoscopia é o padrão-ouro porque permite a visualização direta de toda a mucosa do cólon e reto, além de possibilitar a realização de biópsias para confirmação histopatológica e a ressecção de lesões precursoras (pólipos). A tomografia computadorizada, embora útil para o estadiamento (avaliação de metástases e invasão local), apresenta menor sensibilidade para lesões pequenas ou planas e não permite a coleta de material para análise patológica.

Qual a importância do afilamento das fezes na localização do tumor?

O afilamento das fezes, também descrito como 'fezes em fita', é um sintoma clássico de lesões obstrutivas localizadas no cólon distal (cólon esquerdo, sigmoide ou reto). Como o conteúdo fecal é mais sólido nessa região, qualquer redução da luz intestinal pelo crescimento tumoral circunferencial molda as fezes, resultando no afilamento. Tumores de cólon direito tendem a se manifestar mais com anemia e sintomas constitucionais, pois o lúmen é maior e as fezes são líquidas.

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