Biologia Molecular do Câncer Colorretal: Gene APC e KRAS

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

O conhecimento da biologia molecular tumoral tem trazido diversos avanços diagnósticos e terapêuticos em oncologia. Sobre a biologia do câncer colorretal, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O DCC é um oncogene, presente em 70% dos tumores colorretais.
  2. B) O gene MYH é um gene de supressão tumoral envolvido na síndrome de Lynch.
  3. C) O APC é um gene de supressão, cuja mutação ocorre em 80% dos cânceres colorretais.
  4. D) O KRAS é um oncogene de expressão na transformação do epitélio colônico normal em displasia.
  5. E) O p53 é um proto-oncogene de expressão na transformação do epitélio displásico em adenoma.

Pérola Clínica

Gene APC = 'Gatekeeper' do cólon; mutação inicial em 80% dos casos de câncer colorretal esporádico.

Resumo-Chave

O modelo de Vogelstein descreve a progressão adenoma-carcinoma, onde a perda do gene supressor tumoral APC é o evento iniciador mais comum, levando à instabilidade genômica.

Contexto Educacional

A compreensão da biologia molecular do câncer colorretal (CCR) é fundamental para o diagnóstico e tratamento personalizado. A via clássica (supressora) envolve a sequência adenoma-carcinoma, caracterizada por mutações sequenciais nos genes APC, KRAS e p53. O gene APC é central, sendo a mutação fundadora na maioria dos casos. Além da via supressora, existe a via da instabilidade de microssatélites (MSI), associada a defeitos nos genes de reparo do DNA (MMR), como visto na Síndrome de Lynch. Conhecer essas alterações permite o uso de terapias-alvo, como inibidores de EGFR em pacientes com KRAS selvagem (não mutado), e imunoterapia em tumores com alta instabilidade de microssatélites.

Perguntas Frequentes

Qual a função do gene APC no câncer colorretal?

O gene APC (Adenomatous Polyposis Coli) é um gene supressor de tumor que atua na via de sinalização Wnt/beta-catenina. Ele funciona como um 'gatekeeper' do epitélio colônico. Quando mutado ou inativado, ocorre um acúmulo de beta-catenina no núcleo, estimulando a proliferação celular descontrolada e a formação de adenomas. Esta mutação está presente em cerca de 80% dos cânceres colorretais esporádicos e é a causa da Polipose Adenomatosa Familiar (PAF).

Qual a diferença entre o gene APC e o KRAS na carcinogênese?

O APC é um gene supressor de tumor cuja perda de função é geralmente o evento inicial (formação do adenoma). Já o KRAS é um proto-oncogene; sua mutação ativadora ocorre posteriormente, promovendo o crescimento e a progressão do adenoma para um estágio mais displásico. Enquanto o APC 'abre a porta' para o tumor, o KRAS 'acelera' o seu crescimento.

O que é o gene p53 no contexto do câncer de cólon?

O p53 é um gene supressor de tumor, frequentemente chamado de 'guardião do genoma'. No câncer colorretal, a perda de função do p53 costuma ser um evento tardio na cascata de Vogelstein, ocorrendo na transição de adenoma avançado para carcinoma invasivo. Ele é responsável por induzir parada do ciclo celular ou apoptose em resposta a danos no DNA.

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