ENARE/ENAMED — Prova 2025
O conhecimento da biologia molecular tumoral tem trazido diversos avanços diagnósticos e terapêuticos em oncologia. Sobre a biologia do câncer colorretal, é correto afirmar que:
Gene APC = 'Gatekeeper' do cólon; mutação inicial em 80% dos casos de câncer colorretal esporádico.
O modelo de Vogelstein descreve a progressão adenoma-carcinoma, onde a perda do gene supressor tumoral APC é o evento iniciador mais comum, levando à instabilidade genômica.
A compreensão da biologia molecular do câncer colorretal (CCR) é fundamental para o diagnóstico e tratamento personalizado. A via clássica (supressora) envolve a sequência adenoma-carcinoma, caracterizada por mutações sequenciais nos genes APC, KRAS e p53. O gene APC é central, sendo a mutação fundadora na maioria dos casos. Além da via supressora, existe a via da instabilidade de microssatélites (MSI), associada a defeitos nos genes de reparo do DNA (MMR), como visto na Síndrome de Lynch. Conhecer essas alterações permite o uso de terapias-alvo, como inibidores de EGFR em pacientes com KRAS selvagem (não mutado), e imunoterapia em tumores com alta instabilidade de microssatélites.
O gene APC (Adenomatous Polyposis Coli) é um gene supressor de tumor que atua na via de sinalização Wnt/beta-catenina. Ele funciona como um 'gatekeeper' do epitélio colônico. Quando mutado ou inativado, ocorre um acúmulo de beta-catenina no núcleo, estimulando a proliferação celular descontrolada e a formação de adenomas. Esta mutação está presente em cerca de 80% dos cânceres colorretais esporádicos e é a causa da Polipose Adenomatosa Familiar (PAF).
O APC é um gene supressor de tumor cuja perda de função é geralmente o evento inicial (formação do adenoma). Já o KRAS é um proto-oncogene; sua mutação ativadora ocorre posteriormente, promovendo o crescimento e a progressão do adenoma para um estágio mais displásico. Enquanto o APC 'abre a porta' para o tumor, o KRAS 'acelera' o seu crescimento.
O p53 é um gene supressor de tumor, frequentemente chamado de 'guardião do genoma'. No câncer colorretal, a perda de função do p53 costuma ser um evento tardio na cascata de Vogelstein, ocorrendo na transição de adenoma avançado para carcinoma invasivo. Ele é responsável por induzir parada do ciclo celular ou apoptose em resposta a danos no DNA.
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