UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Um paciente de 57 anos, sexo masculino, comparece à consulta do PSF trazido pela filha porque tem reclamado que nos últimos meses vem apresentando episódios recorrentes de evacuações com sangue vermelho vivo junto às fezes. Aparenta estar contrariado e diz várias vezes que não gosta de ir ao médico e informa pouco sobre a própria doença. Quando questionado, também o intestino não funciona bem há dois meses e que antes apresentava evacuações diárias. Ao exame físico, são dignas de nota mucosas hipocoradas (++/4+) e ao exame proctológico, apresenta dois botões hemorroidários de grande volume que se exteriorizam com o esforço e reduzem-se espontaneamente. Sobre a conduta a ser tomada inicialmente, assinale a assertiva correta.
Sangramento retal + >50 anos + alteração hábito intestinal + anemia → Investigar câncer colorretal com colonoscopia.
Em pacientes acima de 50 anos com sangramento retal, alteração do hábito intestinal e anemia, mesmo na presença de hemorroidas, a principal suspeita diagnóstica deve ser câncer colorretal. A colonoscopia é o exame padrão-ouro para investigação.
O sangramento retal, ou hematoquezia, é uma queixa comum que pode variar de causas benignas, como hemorroidas e fissuras anais, a condições graves como o câncer colorretal. A avaliação inicial deve sempre considerar a idade do paciente e a presença de sinais de alarme. Em pacientes com mais de 50 anos, a probabilidade de câncer colorretal aumenta significativamente, tornando a investigação mais agressiva. Neste caso, o paciente apresenta múltiplos fatores de risco e sinais de alarme para câncer colorretal: idade avançada (57 anos), sangramento vermelho vivo junto às fezes, alteração recente do hábito intestinal (intestino que 'não funciona bem' e mudança de evacuações diárias), e anemia (mucosas hipocoradas). Embora existam hemorroidas, elas não devem ser consideradas a única causa do sangramento sem uma investigação aprofundada. A conduta inicial correta é a investigação de câncer colorretal, sendo a colonoscopia o exame de escolha. Este procedimento permite a visualização direta de todo o cólon e reto, a biópsia de lesões suspeitas e a remoção de pólipos. A pesquisa de sangue oculto nas fezes, embora útil no rastreamento populacional, não substitui a colonoscopia em pacientes com sintomas e fatores de risco. O toque retal é importante, mas não exclui lesões mais proximais. O tratamento deve ser direcionado à causa subjacente, e no caso de câncer, pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Sinais de alarme incluem idade acima de 50 anos, alteração recente do hábito intestinal (diarreia ou constipação), perda de peso inexplicada, anemia ferropriva e história familiar de câncer colorretal.
A colonoscopia é essencial porque permite a visualização direta de todo o cólon e reto, a identificação de lesões (pólipos, tumores) e a realização de biópsias, sendo o método mais eficaz para diagnosticar ou excluir câncer colorretal.
Embora ambos possam causar sangramento vermelho vivo, o câncer colorretal frequentemente se associa a alterações do hábito intestinal, anemia e perda de peso. Hemorroidas geralmente causam sangramento após a evacuação, sem mistura com as fezes, e raramente causam anemia significativa. No entanto, a diferenciação definitiva exige investigação.
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