Emergências no Câncer Colorretal: Obstrução e Conduta

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Em relação às emergências do câncer colorretal, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Um tumor obstrutivo do cólon descendente pode ser paliado por uma colostomia em alça no transverso a direita ou através de uma ileostomia terminal a Brooke.
  2. B) A perfuração pode ocorrer no próprio tumor ou a montante. Quando a montante, o ceco é o sítio preferencial.
  3. C) O stent autoexpansível é melhor indicado nas obstruções mais distais para permitir melhorar a condição clínica do paciente.
  4. D) Em alguns casos, o stent autoexpansível pode tornar-se permanente.
  5. E) Sempre que possível, tanto na obstrução, perfuração e hemorragia a ressecção com ou sem anastomose é a melhor opção.

Pérola Clínica

Obstrução distal → Stent ou colostomia proximal; Ileostomia de Brooke não é padrão para paliar cólon descendente.

Resumo-Chave

Nas emergências do câncer colorretal, a descompressão é prioritária. A ileostomia de Brooke (terminal) não é a técnica de escolha para paliar obstruções do cólon descendente.

Contexto Educacional

As emergências colorretais (obstrução, perfuração e hemorragia) representam cerca de 20% dos casos de câncer colorretal. A obstrução é a mais comum, ocorrendo frequentemente no cólon esquerdo. O manejo depende da estabilidade do paciente e do objetivo (curativo vs. paliativo). A ressecção primária com ou sem anastomose é preferida sempre que as condições locais e sistêmicas permitirem. A perfuração é uma catástrofe abdominal com alta mortalidade. Se a perfuração for diastática (no ceco), muitas vezes é necessária uma colectomia subtotal. Já a hemorragia maciça é rara no câncer colorretal, mas quando ocorre, exige localização precisa (angiotomografia ou colonoscopia) antes da intervenção cirúrgica para evitar ressecções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Por que a alternativa A está incorreta?

A alternativa A está incorreta porque a ileostomia terminal a Brooke é uma técnica onde o íleo é exteriorizado e evertido, geralmente após uma proctocolectomia total (caráter definitivo). Para paliar uma obstrução no cólon descendente, o objetivo é a descompressão proximal. Isso é feito via colostomia em alça (transversostomia) ou ileostomia em alça. Uma ileostomia terminal 'desconectaria' o intestino delgado do grosso, mas não é a técnica padrão para paliação simples de obstrução distal sem ressecção.

Onde ocorre a perfuração em tumores obstrutivos?

A perfuração pode ocorrer em dois locais: no próprio sítio do tumor (por necrose tumoral) ou a montante (proximal ao tumor). Quando ocorre a montante, o local preferencial é o ceco. Isso é explicado pela Lei de Laplace (Tensão = Pressão x Raio), onde o ceco, sendo o segmento de maior diâmetro do cólon, sofre a maior tensão na parede diante de uma obstrução distal com válvula ileocecal competente, levando à isquemia e perfuração diastática.

Qual o papel do stent autoexpansível no câncer colorretal?

O stent metálico autoexpansível (SEMS) é utilizado principalmente em obstruções do cólon esquerdo. Ele pode servir como 'ponte para a cirurgia', permitindo a descompressão do cólon, preparo intestinal e melhora clínica do paciente para uma cirurgia eletiva com anastomose primária (evitando o procedimento de Hartmann). Em pacientes com doença metastática avançada e baixa expectativa de vida, o stent pode ser utilizado de forma definitiva como medida paliativa.

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