ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um paciente de 59 anos apresenta fadiga progressiva, anemia ferropriva e perda de peso não intencional. Uma colonoscopia revelou uma lesão no cólon ascendente macroscopicamente compatível com tumor maligno. Assim, a combinação correta de sintomas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento para esse caso é:
Tumor de cólon direito → Anemia ferropriva + Fadiga + Hemicolectomia direita.
Lesões no cólon ascendente costumam ser vegetantes e causam sangramento oculto, manifestando-se como anemia ferropriva; o tratamento padrão é a hemicolectomia direita.
O câncer colorretal é uma das neoplasias mais incidentes no Brasil. A apresentação clínica é dependente da localização: o cólon direito é o 'território da anemia', enquanto o cólon esquerdo é o 'território da obstrução'. Em pacientes acima de 50 anos com anemia ferropriva sem causa óbvia, a investigação do cólon é mandatória. O diagnóstico é firmado pela colonoscopia, que permite a biópsia para confirmação histopatológica (geralmente adenocarcinoma). O tratamento cirúrgico com intenção curativa baseia-se na ressecção segmentar com margens oncológicas e linfadenectomia. Para o cólon ascendente, a hemicolectomia direita é o procedimento padrão, podendo ser realizada por via aberta, laparoscópica ou robótica, seguida de avaliação para quimioterapia adjuvante conforme o estadiamento TNM.
Tumores localizados no ceco e no cólon ascendente tendem a crescer de forma exofítica (para fora da parede) e vegetante. Como o lúmen do cólon direito é mais largo e as fezes são líquidas, esses tumores raramente causam obstrução precoce. No entanto, a superfície do tumor é friável e sangra cronicamente em pequenas quantidades. Esse sangramento oculto nas fezes, ao longo do tempo, esgota as reservas de ferro do organismo, levando à anemia ferropriva, fadiga e palidez, muitas vezes antes de qualquer alteração no hábito intestinal.
A hemicolectomia direita oncológica envolve a ressecção dos últimos 10-15 cm do íleo terminal, o ceco, o cólon ascendente e a flexura hepática, terminando no cólon transverso proximal. O ponto crucial é a ligadura na origem dos vasos ileocólicos, cólicos direitos e do ramo direito da artéria cólica média. Isso garante a remoção de todo o suprimento vascular e, consequentemente, da cadeia linfonodal correspondente, o que é essencial para o estadiamento patológico e prognóstico do paciente.
O câncer de cólon direito manifesta-se predominantemente por anemia ferropriva e massa palpável no flanco direito. Já o câncer de cólon esquerdo (descendente e sigmoide), onde o lúmen é mais estreito e as fezes são sólidas, apresenta-se mais frequentemente com alteração do hábito intestinal (constipação), dor abdominal em cólica e sinais de suboclusão ou hematoquezia (sangue vivo nas fezes).
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