Diagnóstico Diferencial: Câncer Colorretal vs Diverticulite

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 75 anos de idade foi atendido no posto de saúde com história de dor abdominal tipo cólica de leve a moderada intensidade há cerca de um mês. Referiu que apresentava hematoquezia há cerca de três meses e que, há duas semanas, notou tumor na fossa ilíaca esquerda de +/- 10 cm de diâmetro. Negou febre e referiu astenia e perda de cerca de 10% de seu peso habitual nos últimos dois meses. Negou antecedentes familiares de neoplasias, diabetes e doenças cardiológicas. Com base nesse caso hipotético, no que se refere ao diagnóstico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A doença diverticular, com formação de plastrão, é o diagnóstico mais provável.
  2. B) Antes de qualquer exame de imagem, é fundamental a realização de pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  3. C) A referência de hematoquezia reforça fortemente a hipótese de diverticulite.
  4. D) O clister opaco com duplo contraste será fundamental no caso de suspeita de diverticulite. 
  5. E) Para descartar o diagnóstico diferencial com diverticulite, o exame de maior acuidade é a tomografia computadorizada.

Pérola Clínica

Idoso + Hematoquezia + Perda de peso + Massa palpável = Câncer de Cólon até prova em contrário.

Resumo-Chave

Embora a diverticulite possa formar massas (plastrões), a presença de sintomas constitucionais e sangramento retal crônico em idosos aponta fortemente para malignidade. A TC é o padrão-ouro para o diagnóstico diferencial inicial.

Contexto Educacional

O manejo de massas em fossa ilíaca esquerda no paciente idoso exige alta suspeição clínica para malignidade. O câncer colorretal é a principal hipótese diagnóstica diante de sintomas constitucionais e sangramento retal. A diverticulite, embora comum nesta faixa etária, apresenta-se tipicamente com sinais flogísticos agudos. A Tomografia Computadorizada é essencial para guiar a conduta inicial e diferenciar processos inflamatórios de neoplásicos, apresentando maior acuidade que o clister opaco ou a ultrassonografia. Contudo, a colonoscopia (realizada após a resolução da fase aguda, se houver inflamação) permanece mandatória para a exclusão definitiva de malignidade e realização de biópsias.

Perguntas Frequentes

Diverticulite aguda costuma causar hematoquezia?

Raramente. A diverticulite aguda é um processo inflamatório e infeccioso caracterizado por dor em quadrante inferior esquerdo, febre e leucocitose. O sangramento diverticular (hemorragia digestiva baixa) ocorre por erosão da vasa recta no colo do divertículo e geralmente é indolor, ocorrendo de forma independente da inflamação diverticular aguda. A presença de sangue nas fezes em um quadro subagudo deve sempre levantar suspeita de neoplasia.

Qual o papel da TC na suspeita de diverticulite?

A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha (padrão-ouro) na suspeita de diverticulite aguda. Ela permite confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade através da Classificação de Hinchey, identificar complicações como abscessos, fístulas ou perfurações e, crucialmente, auxiliar no diagnóstico diferencial com neoplasias perfuradas ou obstrutivas.

Quando suspeitar de câncer de cólon em vez de diverticulite?

Deve-se suspeitar de neoplasia maligna em pacientes idosos que apresentam alteração do hábito intestinal, anemia ferropriva, hematoquezia persistente, perda ponderal inexplicada e presença de massa palpável. Embora o plastrão diverticular possa simular uma massa, os sintomas constitucionais (astenia, emagrecimento) e o sangramento crônico são 'red flags' clássicas para o câncer colorretal.

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