SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Homem, 55 anos, assintomático e sem antecedentes familiares, procura médico para rastreamento de câncer colorretal. Considerando as principais diretrizes brasileiras e internacionais, qual é a recomendação atual para início do rastreio na população geral?
Rastreio CCR (Risco Médio) → Início aos 45 anos (Colonoscopia ou FIT).
As diretrizes modernas anteciparam o rastreio para os 45 anos devido ao aumento da incidência de câncer colorretal em adultos jovens, permitindo detecção precoce de lesões precursoras.
O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais preveníveis, pois a maioria surge de pólipos adenomatosos que levam anos para malignizar através da via adenoma-carcinoma. O rastreamento visa identificar e remover essas lesões precursoras antes que se tornem invasivas. A redução da idade de início para 45 anos reflete a mudança no perfil epidemiológico da doença. A escolha do método deve considerar a disponibilidade local, os custos e a preferência do paciente, mas a mensagem central é que 'o melhor teste é aquele que é feito'. Em pacientes assintomáticos, a colonoscopia permite a visualização direta de toda a extensão do cólon. Se um teste não invasivo (como o FIT) resultar positivo, a realização de uma colonoscopia diagnóstica torna-se obrigatória e urgente.
Atualmente, as principais sociedades internacionais, como a American Cancer Society (ACS) e a USPSTF, recomendam que indivíduos de risco médio iniciem o rastreamento aos 45 anos. Esta mudança de 50 para 45 anos ocorreu devido a dados epidemiológicos que mostram um aumento significativo na incidência de câncer colorretal em adultos jovens (early-onset CRC). O objetivo é detectar lesões precursoras, como adenomas e lesões serrilhadas, em uma fase em que a intervenção endoscópica pode prevenir a progressão para malignidade. Para pacientes com histórico familiar de primeiro grau, a recomendação é ainda mais precoce: iniciar aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar mais jovem.
Os métodos dividem-se em testes baseados em fezes e exames estruturais. Os testes de fezes incluem o FIT (teste imunoquímico fecal) anual, o sangue oculto guaiaco anual ou o DNA fecal multialvo a cada 3 anos. Os exames estruturais incluem a colonoscopia a cada 10 anos (padrão-ouro), a sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos ou a colonografia por TC a cada 5 anos. A colonoscopia é preferida por ser simultaneamente diagnóstica e terapêutica, permitindo a polipectomia imediata. A escolha do método deve ser discutida com o paciente, priorizando a adesão ao rastreamento contínuo.
Um paciente de risco médio é aquele que não possui história pessoal de pólipos adenomatosos ou câncer colorretal prévio, não possui doença inflamatória intestinal (como Retocolite Ulcerativa ou Doença de Crohn) e não tem histórico familiar significativo de câncer colorretal ou síndromes genéticas hereditárias, como a Síndrome de Lynch ou a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF). Para esses indivíduos, as estratégias de rastreamento populacional padrão são aplicadas. Caso o paciente apresente qualquer um desses fatores de risco, ele entra em protocolos de vigilância mais intensos e precoces.
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