Papel do CEA e Rastreamento no Câncer Colorretal

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 66 anos, aposentada, foi à consulta devido a dor hipogástrica com evolução de dois meses, seguida de episódios fortuitos de hematoquesia. Na história pregressa relatava colocação de marca-passo cardíaco há dois anos. Informa ter parente de primeiro grau com câncer colorretal aos 52 anos. Dos exames solicitados pelo médico assistente constava Pesquisa de sangue Oculto nas fezes (PSOF) positivo, CEA de 3,4ng/ml com hemograma mostrando anemia discreta e escórias normais. Em relação a este caso assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A despeito do relato prévio, a PSOF foi bem indicada para se ter em mãos um documento comprobatório do sangramento.
  2. B) A dosagem sérica do antígeno carcinoembrionário dentro dos limites da normalidade (não excluí o diagnóstico de câncer colorretal.
  3. C) Esta paciente tinha indicação de estar sendo acompanhada com PSOF seriados desde os 52 anos de vida.
  4. D) O tratamento da anemia é prioritário, devendo preceder a investigação diagnóstica.

Pérola Clínica

CEA normal não exclui câncer colorretal; o marcador é para prognóstico e seguimento, não para diagnóstico.

Resumo-Chave

O diagnóstico de câncer colorretal é histopatológico via colonoscopia. O CEA possui baixa sensibilidade para detecção precoce e não deve ser usado como ferramenta diagnóstica isolada.

Contexto Educacional

O câncer colorretal é uma das neoplasias mais frequentes e possui uma história natural bem definida através da sequência adenoma-carcinoma, o que permite o rastreamento eficaz. A apresentação clínica varia conforme a localização do tumor: tumores de cólon direito frequentemente causam anemia ferropriva por sangramento oculto, enquanto tumores de cólon esquerdo e reto tendem a causar alteração do hábito intestinal e hematoquesia. O manejo diagnóstico baseia-se na colonoscopia, que permite não apenas o diagnóstico histopatológico, mas também a ressecção de lesões precursoras (pólipos). O estadiamento envolve exames de imagem (TC de tórax e abdome) e, no caso do reto, RNM de pelve ou ultrassom endoscópico. O CEA pré-operatório elevado é um fator prognóstico negativo e serve como linha de base para o seguimento pós-tratamento.

Perguntas Frequentes

O CEA pode ser utilizado para diagnóstico de câncer colorretal?

Não. O Antígeno Carcinoembrionário (CEA) não é um teste de rastreamento nem de diagnóstico primário para o câncer colorretal (CCR). Sua principal utilidade clínica reside no acompanhamento pós-operatório para detectar recidivas e na avaliação do prognóstico. Muitos tumores colorretais em estágios iniciais não elevam os níveis de CEA, e condições não neoplásicas (como tabagismo, doenças inflamatórias intestinais e pancreatite) podem causar elevações falso-positivas.

Qual a conduta para um paciente com sangue oculto positivo e sintomas?

Em pacientes com sintomas de alarme (hematoquesia, dor abdominal, alteração do hábito intestinal ou anemia ferropriva) ou pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) positiva, a investigação mandatória é a colonoscopia. A PSOF é uma ferramenta de rastreamento para pacientes assintomáticos; uma vez que o paciente apresenta sintomas ou teste positivo, a visualização direta do cólon e a biópsia de eventuais lesões são necessárias para o diagnóstico definitivo.

Como deve ser o rastreamento em pacientes com histórico familiar?

Para indivíduos com um parente de primeiro grau diagnosticado com CCR ou adenoma avançado antes dos 60 anos, ou dois parentes de primeiro grau em qualquer idade, o rastreamento deve começar aos 40 anos (ou 10 anos antes do diagnóstico do parente mais jovem) com colonoscopia a cada 5 anos. No caso da questão, a paciente já tem 66 anos e apresenta sintomas, o que exige investigação diagnóstica imediata, independentemente do histórico de rastreamento prévio.

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