UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 55 anos de idade, portador de hemorroidas grau IV, com histórico familiar de pólipos adenomatosos colônicos em avô materno, apresenta alteração de hábito intestinal nos últimos 6 meses, com episódios frequentes de diarreia e sangramento por via retal. É portador de bloqueio atrioventricular completo e utiliza marcapasso há 3 anos. Qual é a conduta mais adequada?
Sangramento retal + alteração do hábito em >45 anos = Colonoscopia (mesmo com hemorroidas).
A presença de patologia orificial (hemorroidas) não exclui a necessidade de investigar o cólon proximal em pacientes com sintomas de alarme ou idade de risco para neoplasia.
O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais prevalentes, e o diagnóstico precoce através do rastreamento ou investigação de sintomas de alarme é crucial para o prognóstico. Sintomas como alteração do hábito intestinal, anemia ferropriva, perda de peso e sangramento retal em pacientes acima de 45-50 anos devem ser prontamente investigados com colonoscopia, independentemente da presença de hemorroidas. A colonoscopia permite não apenas o diagnóstico visual e histopatológico, mas também a intervenção terapêutica, como a polipectomia de lesões pré-neoplásicas. Em pacientes portadores de marcapasso, o procedimento é seguro, mas cuidados com o uso de eletrocautério (como o uso de bisturi bipolar ou ajuste do marcapasso para modo assíncrono) devem ser considerados se houver necessidade de intervenção cirúrgica endoscópica.
A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é um método de rastreamento para pacientes assintomáticos de risco médio. Neste caso, o paciente é sintomático, apresentando alteração do hábito intestinal (diarreia) e sangramento visível. Isso classifica a investigação como diagnóstica e não apenas de rastreio, tornando a colonoscopia o padrão-ouro imediato para avaliar toda a mucosa colônica e identificar possíveis neoplasias ou pólipos adenomatosos.
Hemorroidas de grau IV podem causar sangramento retal (geralmente hematoquezia), mas não explicam a alteração do hábito intestinal (episódios de diarreia) relatada pelo paciente nos últimos 6 meses. Em pacientes na faixa etária de risco, a presença de uma causa óbvia de sangramento anal não deve impedir a exclusão de lesões sincrônicas mais proximais, como o câncer colorretal.
O histórico familiar de pólipos adenomatosos ou câncer colorretal aumenta o risco individual do paciente para o desenvolvimento de neoplasias malignas. Embora o avô materno seja um parente de segundo grau, a combinação desse histórico com a idade do paciente (55 anos) e a mudança recente no padrão evacuatório reforça a suspeita clínica de lesões neoplásicas, exigindo visualização direta e biópsia via colonoscopia.
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