MedEvo Simulado — Prova 2026
Camila, 26 anos, vive com HIV há dois anos e mantém seguimento clínico regular em serviço especializado. Atualmente, encontra-se em uso de terapia antirretroviral (TARV) com boa adesão, apresentando carga viral indetectável e contagem de linfócitos T-CD4+ de 450 células/mm³. Ela comparece à Unidade Básica de Saúde para realizar seu exame citopatológico de colo uterino de rotina. Relata que seus dois últimos exames anuais foram negativos para malignidade. O resultado do exame atual revela: 'Atipias de células escamosas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas (ASC-US)'. Diante desse achado citopatológico e do histórico da paciente, qual é a conduta mais adequada a ser adotada?
HIV+ com ASC-US ou superior → Colposcopia imediata (independente de CD4 ou idade).
Em mulheres vivendo com HIV, a história natural da infecção pelo HPV é mais agressiva, com maior taxa de persistência e progressão. Por isso, qualquer atipia citológica exige investigação colposcópica imediata.
O câncer de colo do útero é considerado uma doença definidora de AIDS quando invasivo. A infecção pelo HIV altera a epidemiologia do HPV, aumentando a prevalência de múltiplos tipos virais e reduzindo as taxas de clareamento viral. Por essa razão, o rastreamento em MVHIV é mais frequente e a intervenção diagnóstica é mais precoce. O achado de ASC-US representa o limite da normalidade citológica, mas em pacientes imunocomprometidas, ele frequentemente mascara lesões histológicas de maior gravidade. A colposcopia permite a visualização direta do colo uterino e a realização de biópsias dirigidas, garantindo que lesões precursoras sejam tratadas antes da progressão para carcinoma invasor, respeitando as particularidades imunológicas dessa população.
Para mulheres vivendo com HIV (MVHIV), o rastreamento citopatológico deve ser iniciado logo após o início da atividade sexual, independentemente da idade. A recomendação brasileira é realizar o exame anualmente após o diagnóstico de HIV. Se a contagem de linfócitos T-CD4+ estiver abaixo de 200 células/mm³, o rastreamento deve ser semestral até que ocorra a reconstituição imune. Diferente da população geral, onde o intervalo pode ser trienal após dois exames normais, no HIV o intervalo permanece anual devido ao risco aumentado de lesões precursoras do câncer de colo uterino.
Na população geral, o achado de ASC-US (Atipias de células escamosas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas) permite a repetição do exame em 6 a 12 meses, dependendo da idade, pois a maioria dos casos regride espontaneamente. No entanto, em pacientes com HIV, a imunossupressão (mesmo que relativa) favorece a persistência do HPV e a rápida progressão para lesões de alto grau (NIC 2/3). Devido a esse maior risco oncológico, as diretrizes brasileiras preconizam que qualquer alteração citopatológica, a partir de ASC-US, indica a realização imediata de colposcopia.
Não. Embora o risco de lesões cervicais seja inversamente proporcional à contagem de CD4 (quanto menor o CD4, maior o risco), a conduta diante de um exame citopatológico alterado (ASC-US ou superior) em uma paciente com HIV é sempre a colposcopia imediata, independentemente do status imunológico ou virológico atual. Mesmo pacientes com carga viral indetectável e CD4 preservado (como o caso de Camila, com 450 células/mm³) devem seguir o protocolo rigoroso de investigação colposcópica devido à história natural alterada do HPV nesse grupo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo