Fatores de Risco para Câncer de Colo Uterino

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 50 anos de idade vai a consulta em UBS com queixa de corrimento vaginal acinzentado e com odor fétido na última semana. Refere também que gostaria de realizar check-up, pois não se consulta com médico há mais de 10 anos e está preocupada, pois a própria mãe foi diagnosticada com câncer de mama quando tinha 68 anos de idade. História médica pregressa: G6P6A0, diagnóstico prévio de sífilis tratada recentemente e coitarca aos 14 anos de idade. Tabagista de um maço de cigarro ao dia desde os 15 anos de idade. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos relacionados à saúde da mulher, julgue o item a seguir. O fato de ter apresentado quadro de sífilis anteriormente não eleva o risco de a paciente vir a desenvolver câncer de colo uterino.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

ISTs (como sífilis) = marcador de comportamento de risco → ↑ exposição ao HPV → ↑ risco de câncer cervical.

Resumo-Chave

Embora a sífilis não cause o câncer diretamente, ela é um marcador epidemiológico de exposição a outras ISTs, especialmente o HPV, principal agente etiológico do câncer de colo uterino.

Contexto Educacional

O câncer de colo de útero é uma doença evitável, fortemente associada a fatores socioeconômicos e comportamentais. A compreensão de que as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) andam em conjunto é vital para a prática clínica na Atenção Primária. Uma paciente com diagnóstico de sífilis deve ser rigorosamente rastreada para outras ISTs e ter seu preventivo (Papanicolau) atualizado, pois a carga de exposição ao HPV é presumidamente maior. O caso clínico apresenta uma paciente com múltiplos fatores: tabagismo, coitarca precoce, multiparidade e histórico de IST, o que a coloca em um grupo de altíssimo risco para neoplasias intraepiteliais cervicais.

Perguntas Frequentes

Por que a sífilis aumenta o risco de câncer de colo de útero?

A sífilis não possui um mecanismo oncogênico direto como o HPV. No entanto, ela atua como um marcador de comportamento sexual de risco (múltiplos parceiros, sexo desprotegido). Pacientes com histórico de sífilis têm uma probabilidade significativamente maior de terem sido expostas a subtipos oncogênicos do HPV. Além disso, a presença de úlceras ou inflamação crônica por ISTs pode facilitar a persistência viral do HPV na zona de transformação cervical.

Quais são os principais fatores de risco para o câncer cervical?

O principal fator é a infecção persistente por HPV de alto risco (tipos 16 e 18). Outros fatores incluem: início precoce da vida sexual (coitarca precoce), múltiplos parceiros sexuais, tabagismo (que concentra metabólitos carcinogênicos no muco cervical), multiparidade, uso prolongado de anticoncepcionais orais e imunossupressão (como no HIV).

Como o tabagismo influencia a carcinogênese cervical?

O tabagismo é um cofator importante. Substâncias como a nicotina e a cotinina são detectadas no muco cervical e causam danos diretos ao DNA das células epiteliais. Além disso, o tabagismo reduz a vigilância imunológica local (células de Langerhans), dificultando a depuração (clearance) do HPV e favorecendo a progressão de lesões precursoras (NIC) para câncer invasor.

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