Rastreamento de Câncer de Colo Uterino e Fatores de Risco

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 50 anos de idade vai a consulta em UBS com queixa de corrimento vaginal acinzentado e com odor fétido na última semana. Refere também que gostaria de realizar check-up, pois não se consulta com médico há mais de 10 anos e está preocupada, pois a própria mãe foi diagnosticada com câncer de mama quando tinha 68 anos de idade. História médica pregressa: G6P6A0, diagnóstico prévio de sífilis tratada recentemente e coitarca aos 14 anos de idade. Tabagista de um maço de cigarro ao dia desde os 15 anos de idade. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos relacionados à saúde da mulher, julgue o item a seguir. Deverá ser solicitado o exame colpocitológico para rastreamento de neoplasia de colo uterino, cujo principal fator de risco são as infecções do HPV, particularmente os subtipos 16 e 18.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

HPV 16/18 = principais oncogênicos; rastreio inicia aos 25 anos com citologia.

Resumo-Chave

O rastreamento do câncer de colo uterino foca na detecção de lesões precursoras causadas pelo HPV, sendo o tabagismo e a coitarca precoce fatores de risco importantes.

Contexto Educacional

O câncer de colo de útero é uma doença altamente prevenível através do rastreamento citopatológico e da vacinação contra o HPV. A história natural da doença envolve a infecção persistente por tipos de HPV de alto risco, que pode levar décadas para progredir para câncer invasor. Fatores comportamentais como multiplicidade de parceiros, coitarca precoce e tabagismo modulam esse risco. No caso clínico, a paciente apresenta múltiplos fatores de risco (tabagismo, início precoce da vida sexual, histórico de IST) e está há longo período sem rastreio, o que torna a coleta da citologia oncótica uma prioridade absoluta na consulta de atenção primária.

Perguntas Frequentes

Quais são os subtipos de HPV mais oncogênicos?

Os subtipos 16 e 18 são os principais responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo. Eles pertencem ao grupo de alto risco oncogênico. O HPV 16 é o mais prevalente no carcinoma epidermoide, enquanto o HPV 18 tem uma associação proporcionalmente maior com o adenocarcinoma cervical. A persistência da infecção por esses subtipos é o fator determinante para o desenvolvimento de lesões precursoras de alto grau (NIC 2 e NIC 3) e, eventualmente, carcinoma invasor.

Qual a periodicidade do rastreamento citopatológico no Brasil?

Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento deve ser realizado em mulheres (ou pessoas com colo do útero) de 25 a 64 anos que já iniciaram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser anuais; se ambos forem negativos, a periodicidade passa a ser a cada 3 anos. O objetivo é identificar alterações celulares sugestivas de lesões precursoras antes da evolução para câncer invasivo.

Como o tabagismo influencia o risco de câncer cervical?

O tabagismo é um cofator estabelecido para o câncer de colo do útero. Substâncias derivadas do tabaco são encontradas no muco cervical e exercem um efeito imunossupressor local, além de causar danos diretos ao DNA das células epiteliais. Isso prejudica a capacidade do sistema imunológico de eliminar a infecção pelo HPV, favorecendo a persistência viral e a progressão para neoplasia intraepitelial cervical, dobrando o risco em comparação a não fumantes.

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