SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Considere um paciente de 88 anos de idade, hipertensa, diabética tipo 2, em uso de insulina e com quadro de insuficiência cardíaca NYHA classe III. Ela foi diagnosticada com câncer de colo uterino estágio IIIB pela classificação da FIGO (2009). Na última ecografia de aparelho urinário, foi visualizada hidronefrose moderada à direita. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. A paciente pode ser tratada com quimiorradioterapia primária.
Estágio IIIB FIGO (hidronefrose/parede pélvica) → Quimiorradioterapia primária.
O tratamento padrão para o câncer de colo de útero localmente avançado (estádios IIB a IVA) é a combinação de radioterapia externa, braquiterapia e quimioterapia sensibilizante.
O câncer de colo de útero é estadiado clinicamente pela FIGO. O estágio IIIB representa uma doença que ultrapassou os paramétrios até a parede pélvica ou causou obstrução ureteral (hidronefrose). Para estes casos, o protocolo padrão envolve Radioterapia Externa (Teleterapia) em toda a pelve, associada a doses semanais de Cisplatina como radiossensibilizador, seguida de Braquiterapia de alta taxa de dose. A presença de hidronefrose é um marcador prognóstico negativo importante, indicando invasão profunda do paramétrio. O manejo de pacientes idosas com múltiplas comorbidades exige uma avaliação cuidadosa do 'performance status', mas não altera a classificação da doença nem a recomendação teórica da quimiorradioterapia como a melhor chance de controle oncológico.
De acordo com a classificação da FIGO de 2009, o estágio IIIB é caracterizado pela extensão da neoplasia até a parede pélvica e/ou presença de hidronefrose ou rim não funcionante decorrente da compressão ureteral pelo tumor. É um estágio considerado localmente avançado, onde a cirurgia primária (Wertheim-Meigs) não é mais a conduta de escolha devido à impossibilidade de margens livres e alta morbidade.
No estágio IIIB, o tumor já atingiu estruturas que impedem a ressecção cirúrgica completa com segurança. Estudos clínicos randomizados demonstraram que a quimiorradioterapia concomitante (geralmente com cisplatina semanal) oferece melhores taxas de sobrevida global e controle local do que a radioterapia isolada ou a cirurgia seguida de radioterapia adjuvante para tumores localmente avançados.
Embora a paciente tenha 88 anos, IC NYHA III e DM2, a quimiorradioterapia continua sendo o tratamento padrão-ouro teórico para o estadiamento IIIB. Na prática clínica, a intensidade da quimioterapia pode ser ajustada ou até omitida (mantendo apenas a radioterapia) se o status de performance da paciente for muito baixo, mas a modalidade 'primária' não cirúrgica permanece a indicação correta para o estágio da doença.
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