UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Mulher, 33 anos de idade, nulípara, deseja engravidar. Realizou cirurgia de alta frequencia no colo do útero. Anatomia patológica: neoplasia intraepitelial escamosa de alto grau extensa, com foco de invasão de 4mm, presença de êmbolos carcinomatosos em vasos linfáticos, margens livres para componente invasor e intraepitelial. Qual é a conduta mais adequada?
NIC III com microinvasão (4mm) e êmbolos linfáticos → traquelectomia radical + linfadenectomia, mesmo com desejo de gestação.
A presença de êmbolos carcinomatosos em vasos linfáticos, mesmo com microinvasão e margens livres, indica um risco aumentado de disseminação e exige uma abordagem cirúrgica mais radical, como a traquelectomia radical com linfadenectomia, para garantir a cura oncológica, mesmo em pacientes com desejo de gestação.
O manejo do câncer de colo uterino em mulheres jovens e nulíparas, especialmente aquelas com desejo de gestação, é um desafio que exige um equilíbrio entre a cura oncológica e a preservação da fertilidade. A neoplasia intraepitelial escamosa de alto grau (NIC III) com foco de invasão, mesmo que microinvasora (até 5mm de profundidade e 7mm de extensão horizontal), requer uma avaliação cuidadosa dos fatores de risco. A presença de êmbolos carcinomatosos em vasos linfáticos (invasão linfovascular) é um fator prognóstico adverso crucial. Mesmo com margens livres e uma profundidade de invasão de 4mm (que por si só poderia ser manejada de forma menos radical em alguns contextos), a invasão linfovascular aumenta significativamente o risco de metástase para os linfonodos pélvicos. Isso eleva o estágio da doença e a necessidade de uma abordagem mais agressiva. Nesse cenário, a traquelectomia radical, que remove o colo uterino, parte superior da vagina e os paramétrios, juntamente com a linfadenectomia pélvica bilateral, torna-se a conduta mais adequada. Embora a traquelectomia radical seja uma cirurgia de preservação da fertilidade, ela é indicada para garantir a erradicação da doença em casos com fatores de risco como a invasão linfovascular, oferecendo a melhor chance de cura oncológica, mesmo que com riscos obstétricos aumentados em futuras gestações. A cerclagem pode ser considerada em gestações futuras para reduzir o risco de parto prematuro.
A traquelectomia radical é indicada para câncer de colo uterino em estágios iniciais (IA1 a IB1), especialmente em pacientes jovens com desejo de preservar a fertilidade, desde que não haja invasão linfovascular extensa ou metástases.
A presença de êmbolos carcinomatosos em vasos linfáticos (invasão linfovascular) é um fator de risco significativo para metástase linfonodal, mesmo em lesões microinvasoras, e geralmente indica a necessidade de linfadenectomia.
Em casos selecionados de câncer de colo uterino em estágio inicial, a traquelectomia radical é uma opção que permite a preservação do útero e, consequentemente, da fertilidade, embora com riscos obstétricos aumentados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo