Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Nuligesta, 27 anos, queixando-se de corrimento sanguinolento com odor fétido há 2 meses. Não visita o ginecologista há 5 anos. Início da atividade sexual há 10 anos. Ao exame especular evidenciou-se lesão vegetante acometendo lábio posterior do colo uterino com aproximadamente 3 cm de diâmetro; paredes vaginais livres de acometimento. O toque retal mostra comprometimento do paramétrio à direta até a parede pélvica. Demais exames de estadiamento foram negativos. A histologia da lesão mostrou adenocarcinoma invasivo moderadamente diferenciado. Em relação a esse caso, o estádio do tumor e a melhor conduta terapêutica são respectivamente:
Câncer de colo uterino com paramétrio até parede pélvica = Estádio IIIB → Radioquimioterapia.
O estadiamento do câncer de colo uterino é clínico. O comprometimento do paramétrio até a parede pélvica caracteriza o estádio IIIB, cuja conduta padrão é a radioquimioterapia concomitante, não a cirurgia primária.
O câncer de colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, e seu estadiamento é crucial para definir a conduta terapêutica. Diferente de outros cânceres ginecológicos, o estadiamento do câncer de colo é predominantemente clínico, baseado em exame físico e exames complementares, seguindo a classificação da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia). Neste caso, a paciente apresenta uma lesão vegetante no colo uterino e, mais importante, comprometimento do paramétrio à direita até a parede pélvica. Este achado é o que define o estádio IIIB do câncer de colo uterino. O estádio IIIB implica que o tumor se estendeu à parede pélvica, o que impede a ressecção cirúrgica completa com margens livres. A conduta terapêutica para o câncer de colo uterino em estádio IIIB é a radioquimioterapia concomitante. A cirurgia de Wertheim-Meigs (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica) é indicada para estádios iniciais (IA1 com invasão estromal, IA2, IB1 e IB2). É fundamental que o residente compreenda as indicações precisas de cada modalidade terapêutica de acordo com o estadiamento, pois é um tópico frequentemente abordado em provas.
O estadiamento do câncer de colo uterino é predominantemente clínico, baseado no exame físico (especular, toque vaginal e retal), cistoscopia, retossigmoidoscopia e exames de imagem como ultrassonografia e ressonância magnética, conforme a classificação FIGO.
O estádio IIIB é caracterizado pela extensão do tumor à parede pélvica e/ou hidronefrose ou rim não funcionante devido à obstrução ureteral. O comprometimento do paramétrio até a parede pélvica é um critério chave para este estádio.
Para o câncer de colo uterino estádio IIIB, a conduta terapêutica padrão é a radioquimioterapia concomitante. A cirurgia de Wertheim-Meigs (histerectomia radical) é reservada para estádios iniciais (IA1 com invasão estromal, IA2, IB1 e IB2).
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