SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Mulher de 30 anos, G5P5, todos os partos normais. Chega à emergência ginecológica com quadro de sangramento pela vagina, há uma semana. Nega corrimento genital e febre. O exame ginecológico revelou presença de tumor em colo uterino de seis centímetros de diâmetro, friável e sangrante. O tumor compromete o terço superior da vagina, no entanto não atinge paramétrios. Traz consigo exame ultrassonográfico que revela hidronefrose.De acordo com o cenário descrito acima, assinale a alternativa que melhor destaca a principal suspeita diagnóstica com o estadiamento, a propedêutica e a conduta.
Câncer de colo uterino + hidronefrose = Estadiamento FIGO IIIB → Biópsia + Quimiorradioterapia.
A presença de hidronefrose, mesmo que unilateral, em um caso de câncer de colo uterino, indica compressão ureteral pelo tumor e automaticamente eleva o estadiamento para FIGO IIIB, independentemente de outros achados. Para este estágio, a quimiorradioterapia é a conduta padrão.
O câncer de colo uterino é uma neoplasia maligna que se origina no epitélio cervical, sendo a quarta causa mais comum de câncer em mulheres globalmente. O estadiamento é predominantemente clínico, utilizando a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que é crucial para determinar o prognóstico e a abordagem terapêutica. A presença de sangramento vaginal anormal, especialmente pós-coito, é um sintoma comum. O estadiamento FIGO para câncer de colo uterino é baseado em achados de exame físico, exames de imagem e biópsia. Um tumor de 6 cm que compromete o terço superior da vagina, mas não atinge os paramétrios, inicialmente sugeriria um estágio IIA. No entanto, a presença de hidronefrose, mesmo que unilateral, é um critério definidor para o estágio IIIB, indicando que a doença é localmente avançada e está causando obstrução ureteral. A biópsia cervical é fundamental para a confirmação histopatológica do diagnóstico. Para o câncer de colo uterino em estágio IIIB, a cirurgia radical não é a principal opção de tratamento. A conduta padrão é a quimiorradioterapia concomitante, que combina radioterapia externa pélvica com quimioterapia sensibilizadora (geralmente cisplatina), seguida de braquiterapia. Essa abordagem visa erradicar o tumor localmente e melhorar a sobrevida das pacientes com doença localmente avançada.
A hidronefrose, mesmo unilateral, é um achado crítico que eleva o estadiamento do câncer de colo uterino para FIGO IIIB. Isso indica que o tumor está causando compressão ureteral, o que implica uma doença mais avançada e impacta diretamente a escolha do tratamento.
A biópsia cervical é a principal propedêutica para confirmar o diagnóstico de câncer de colo uterino. Ela permite a análise histopatológica do tecido suspeito, determinando o tipo histológico e o grau de diferenciação do tumor.
Para o câncer de colo uterino estágio IIIB, a conduta terapêutica padrão é a quimiorradioterapia concomitante. Isso envolve radioterapia externa pélvica associada à quimioterapia à base de cisplatina, seguida de braquiterapia.
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