UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Em relação ao câncer de colo uterino, analise as afirmativas e assinale as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA: I - Em lesões localmente avançadas, como aquelas com comprometimento de paramétrio, a exenteração pélvica anterior é o procedimento inicial de escolha. II - A histerectomia radical via laparoscópica é a via cirúrgica de escolha nesse tipo de tumor, especialmente em lesões > 2 cm. III. Infecção persistente pelo HPV, especialmente os subtipos 16 e 18, é o principal fator de risco para esta neoplasia. IV. Traquelectomia radical (preservando o útero e os ovários) pode ser indicada em tumores iniciais em pacientes com desejo de preservação de fertilidade.
Câncer de colo: HPV 16/18 são os principais riscos; Traquelectomia preserva fertilidade em tumores iniciais.
A infecção persistente por HPV oncogênico é o fator causal necessário. Em tumores iniciais (<2cm) em mulheres jovens, a traquelectomia radical permite a preservação do corpo uterino e da fertilidade.
O câncer de colo uterino permanece um grande desafio de saúde pública. O entendimento de que a infecção pelo HPV é o principal fator de risco revolucionou a prevenção (vacina e rastreio). No campo cirúrgico, houve mudanças significativas: o estudo LACC (2018) demonstrou que a histerectomia radical por via minimamente invasiva apresentava piores desfechos de sobrevida livre de doença em comparação à via aberta, mudando a recomendação padrão. Para pacientes que desejam gestar, a traquelectomia radical surge como uma opção oncológica segura em casos selecionados. Já para casos avançados, a cirurgia perde espaço para a quimiorradioterapia, que oferece melhor controle da doença com menor morbidade cirúrgica imediata.
Os subtipos 16 e 18 do HPV são considerados de alto risco oncogênico e são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero no mundo. A persistência da infecção viral leva à integração do DNA viral no genoma da célula hospedeira, com superexpressão das oncoproteínas E6 e E7, que inativam os supressores tumorais p53 e pRb, respectivamente.
É um procedimento cirúrgico que remove o colo do útero, os paramétrios e a porção superior da vagina, mantendo o corpo uterino e os anexos. É indicada para pacientes jovens com desejo de preservar a fertilidade, que possuam tumores em estágio inicial (geralmente FIGO IA2 ou IB1), lesões preferencialmente < 2 cm e sem evidência de metástases linfonodais.
A exenteração pélvica é uma cirurgia ultrarradical (remoção de bexiga, útero e reto) reservada para casos de recidiva central após radioterapia. Para lesões localmente avançadas (estágio IIB em diante, com comprometimento de paramétrio), o tratamento padrão de escolha é a combinação de quimioterapia baseada em cisplatina e radioterapia (teleterapia + braquiterapia).
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